Na última sexta-feira (22) o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) divulgou uma nota demonstrando preocupação com a aprovação do Projeto de Lei 364/2019 na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

De acordo com a instituição, além do risco ambiental, que pode contribuir para o desaparecimento de biomas fundamentais para o país como o Cerrado e a Mata Atlântica, o projeto coloca em risco a viabilidade econômica do agronegócio brasileiro, que lidaria com um clima cada vez mais hostil e imprevisível.

“Ao liberar a exploração de mais de 50 milhões de hectares de vegetação nativa, facilitando a exploração das áreas remanescentes de Cerrado e matas ciliares, o projeto ignora a importância desses ecossistemas para o abastecimento. Sem a água produzida nessas áreas, perdemos chuva, geração de energia, empregos e alimentos”, argumenta o IPAM em nota.

Estudo do IPAM mostra que 50% dos municípios abrigados no Cerrado já perderam pelo menos 30% da superfície de água nos últimos 30 anos. Dados divulgados pelo SAD Cerrado na última sexta-feira (22) revelam que o bioma tem reduzido sua capacidade de absorção e retenção de água por conta da perda de vegetação nativa, elevando o risco hídrico de 373 municípios.

“O prejuízo ambiental e climático que seria permitido pelo projeto acelerariam a catástrofe ambiental, aproximando o Brasil do ponto de não retorno em todos os biomas”, destaca a nota.

Ainda de acordo com o instituto, o PL se apega à visão limitada de que apenas com a abertura de novas áreas se pode ganhar mais dinheiro no Brasil. “Ao subestimar a produção de ponta que existe no País, perdemos a oportunidade de liderar o novo mercado de agropecuária sustentável e bioeconomia, que cresce rapidamente em todas as partes do mundo”, enfatiza.

“O Brasil só tem a ganhar com a conservação de sua vegetação nativa. Nossas matas preservam de pé uma riqueza inimaginável, evitando o colapso ambiental e apontando o caminho para um futuro em que os serviços desempenhados pela biodiversidade sejam não apenas valorizados, mas entendidos como a chave para o desenvolvimento brasileiro e nosso tesouro mais precioso”, finaliza a nota do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

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