Por Claudio Sandos
Reconhecer a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) é fundamental, especialmente após sua atuação exemplar durante a pandemia de COVID-19, quando salvou milhares de vidas e demonstrou sua eficiência máxima. No entanto, é importante também reconhecer os constantes ataques que o SUS sofre dos defensores do estado mínimo e das privatizações exacerbadas.
Como usuários diretos ou indiretos do SUS, podemos apontar seus pontos fortes, como a eficiência na vacinação e nos atendimentos básicos. Contudo, é igualmente importante destacar problemas que persistem há décadas. Para focar nesses problemas, utilizarei como referência o estado de Rondônia, onde moro.
Um dos problemas mais comuns em muitos municípios é a demora na realização de exames de rotina solicitados para serem realizados em laboratórios conveniados. A espera é tão longa que muitos pacientes se veem obrigados a recorrer a serviços particulares.
Além disso, a falta de alguns tipos de medicamentos é uma queixa recorrente. Os atendentes frequentemente alegam que “este medicamento não é fornecido pelo SUS” ou “este medicamento não chegou ainda”. Esta situação é angustiante para pacientes que dependem de medicamentos contínuos.
Outra situação preocupante é o encaminhamento de pacientes do interior do estado para tratamento em hospitais de referência, como os de Cacoal ou Porto Velho. Esses hospitais, especialmente o Hospital de Base de Porto Velho, são temidos pela falta de leitos e quartos, resultando em centenas de pacientes internados ou esperando vagas nos corredores.
O fluxo constante de ambulâncias de municípios com menos de 40 mil habitantes para cidades maiores, às vezes apenas para realizar uma ultrassonografia, é uma prática que coloca em risco a vida de pelo menos cinco pessoas (motorista, médico, enfermeira, paciente e acompanhante) devido à alta velocidade necessária.
Esses translados também removem profissionais de saúde dos hospitais locais, aumentando o tempo de viagem entre 4 a 8 horas, considerando ida e volta.
Embora haja alguns avanços, é necessário melhorar o acesso a cuidados médicos voltados para a saúde infantil e para o atendimento de pessoas idosas. A dificuldade em encontrar especialistas em geriatria pelo SUS é uma queixa comum, e quando conseguem uma consulta, geralmente é em um prazo muito além da necessidade imediata, o que é crítico nessa fase da vida.

Mesmo com suas falhas, o SUS continua sendo um sistema essencial que devemos fortalecer através de políticas públicas de estado. A eficiência do SUS, especialmente em tempos de crise, como a pandemia de COVID-19, não pode ser subestimada.
Devemos continuar lutando contra os ataques ao SUS e trabalhar para resolver seus problemas, garantindo que todos os brasileiros tenham acesso a um sistema de saúde digno e eficiente. O SUS é uma conquista que precisa ser preservada e aprimorada, para que continue salvando vidas e proporcionando atendimento de qualidade para todos.
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SOBRE CLAUDIO SANDOS: Formado em Pedagogia pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e especializado em Agroecologia e Educação do Campo (UFP), Claudio Sandos é dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e militante da luta camponesa.

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