A política armamentista do ex-presidente Jair Bolsonaro é apontada como um dos fatores que contribuíram para o aumento da violência no Brasil entre os anos de 2019 e 2022, segundo o Atlas da Violência 2024, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Em 2019, no primeiro ano do mandato de Bolsonaro, o país alcançou pela primeira vez uma taxa de 31,6 homicídios por 100 mil habitantes, um recorde histórico. Entre 2019 e 2022, ocorreram 213,7 mil assassinatos, mas apenas 189,6 mil foram registrados oficialmente, evidenciando uma grande subnotificação.
A disparidade entre as taxas de homicídios de negros e não negros também é preocupante. Em 2022, a taxa de homicídios entre negros foi de 29,7 por 100 mil habitantes, quase três vezes maior que a de não negros (10,8). Este dado ressalta a desigualdade racial na violência, um problema agravado durante a gestão de Bolsonaro.
O estudo também destacou o aumento significativo da violência contra minorias. Em 2022, houve um aumento de 39,4% nos registros de violência contra homossexuais e bissexuais, e de 34,4% contra travestis e transexuais. Estes números refletem as consequências da retórica e das políticas do ex-presidente, que frequentemente marginalizaram essas comunidades.
Além disso, os pesquisadores identificaram um aumento nos chamados homicídios ocultos — mortes violentas não registradas corretamente como homicídios. Entre 2012 e 2022, 51.726 casos foram classificados dessa forma, impedindo a adoção de políticas públicas eficazes para combater a violência.
A política de liberação de armas, defendida por Bolsonaro como uma solução para a segurança pública, resultou na proliferação de armas de fogo nas mãos de civis. Em vez de proporcionar segurança, esta medida contribuiu para um ambiente mais perigoso, onde armas de fogo se tornaram instrumentos comuns de resolução de conflitos.

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