Por Claudio Sandos
A política em Rondônia tem sido moldada por uma lógica desenvolvimentista que favorece grandes empresários e latifundiários, especialmente aqueles oriundos das regiões Centro-Oeste e Sul do Brasil.
Essa abordagem, amplamente defendida pela direita e extrema direita, e até por parte da esquerda, exclui povos indígenas, comunidades tradicionais, nordestinos e imigrantes pobres, que são relegados a meros fornecedores de mão de obra barata.
Essa lógica de desenvolvimento não é exclusiva de Rondônia, mas é amplamente aplicada em toda a região Norte, especialmente no bioma Amazônia.
A extrema direita defende a substituição do Estado pelo mercado, a direita busca um Estado mínimo, e a esquerda propõe um Estado moderador.
Em todas essas abordagens, os grandes empresários e latifundiários são vistos como os principais agentes de desenvolvimento. Mas será que Rondônia está realmente enriquecendo com essa lógica?
Entre 2020 e 2021, a pobreza em Rondônia aumentou 52%, colocando o estado na 16ª posição no ranking nacional de pobreza, de acordo com dados do Mapa da Nova Pobreza, da FGV Social.
Embora a aplicação de um Estado moderador nos dias atuais tenha reduzido a pobreza, ainda é difícil imaginar a erradicação completa da pobreza no Brasil enquanto os grandes empresários e latifundiários continuarem a ser os principais agentes de desenvolvimento.
Nos últimos oito anos, Rondônia tem experimentado perdas significativas que podem ser observadas a olho nu:
- Desmatamento Extensivo: A perda de florestas tem sido massiva, com áreas difíceis de quantificar sendo desmatadas.
- Destruição da Fauna: Espécies animais estão desaparecendo, muitas sem sequer terem sido estudadas.
- Degradação do Solo: O avanço das monoculturas, com uso intensivo de maquinário pesado, tem deteriorado a qualidade do solo.
- Violência contra Povos Indígenas: A violência e os assassinatos de povos indígenas têm aumentado, muitas vezes devido ao desrespeito e à marginalização.
- Escassez de Água: A capacidade de produção de água, essencial para abastecer rios e cidades, está sendo comprometida, afetando toda a vida nos campos e florestas. Além disso, não podemos deixar de perceber o desaparecimento de igarapés e rios de pequeno e médio porte. Até rios de grande porte, como o Rio Madeira, correm risco de desaparecimento ou de se tornarem rios de médio porte, perdendo suas funções centenárias que vão além da produção de água e peixes. A seca que atinge a Amazônia poderá ser crucial para o fim do Rio Madeira na forma em que o conhecemos.
Para reverter esses problemas, Rondônia precisa de soluções complexas, mas compreensíveis.
A população e os políticos devem ter a coragem de superar paradigmas e reavaliar quem são os verdadeiros agentes de desenvolvimento. É hora de colocar no centro do debate e da prática aqueles que valorizam a vida acima do lucro.
Uma possível solução envolve a adoção de práticas que priorizam a vida e o bem-estar coletivo:
- Valorização dos Povos Indígenas: Reconhecer e integrar os conhecimentos tradicionais dos povos indígenas na gestão ambiental e no desenvolvimento sustentável.
- Agroecologia e Reforma Agrária: Promover a agroecologia e a reforma agrária, apoiando pequenos agricultores e práticas agrícolas sustentáveis.
- Empresas com Gestão Democrática: Incentivar empresas que operam com gestão democrática e responsabilidade social.
- Fé Acolhedora: Encorajar práticas religiosas que promovam acolhimento, respeito e inclusão, sem preconceitos ou discriminações.
SOBRE CLAUDIO SANDOS – Formado em Pedagogia pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e especializado em Agroecologia e Educação do Campo (UFP), Claudio Sandos é dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e militante da luta camponesa.

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