Texto: Claudio Sandos
Nas últimas décadas, a palavra “golpe” tem se tornado comum, especialmente em contraste com “revolução,” um termo usado pela classe trabalhadora. Mas esses conceitos são iguais?
De forma direta, a resposta é não. Golpes, quase sem exceção, são realizados para manter ou ampliar o poder das elites nacionais ou de uma elite internacional.
No caso específico da Bolívia, o que está em jogo são os interesses de uma parte da elite nacional, financiada por uma elite internacional, que busca se apropriar da maior reserva de lítio localizada em território boliviano.
Golpes também se caracterizam pela eliminação do Estado de Direito em todos os aspectos humanos e sociais, concentrando riquezas em um número cada vez menor de bilionários.
Dessa forma, golpes estão frequentemente na pauta de grandes empresários, agências financeiras e outros agentes que operam no submundo dos preconceitos e discriminações, muitas vezes atraídos pelo fundamentalismo que destrói o estado laico.
Por outro lado, revoluções, que têm se tornado ausentes na pauta da classe trabalhadora, visam romper as mazelas que afetam os mais pobres, buscando descentralizar o poder e as riquezas que continuam a se concentrar cada vez mais.
Um dos motivos da ausência da pauta revolucionária está na necessidade de canalizar nossas forças para defender o estado democrático dos golpes recentes na América Latina e no mundo.
Não podemos esquecer das duas tentativas de golpe recentes no Brasil: contra o segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff e a tentativa de golpe contra o presidente Lula, ambos eleitos democraticamente.
Importante registrar que, em 2019, a Bolívia enfrentou um golpe contra Evo Morales, que foi destituído do poder apesar de ter sido eleito pelo voto direto, e ontem, 26 de junho de 2024, ocorreu uma tentativa de golpe, agora contra o presidente Luis Arce, também eleito democraticamente.
Atualmente, nas lutas por transformações profundas e duradouras para superar os desafios ambientais e sociais, é necessário lutar por revoluções profundas.
No entanto, as lutas contra os golpes em prol da democracia tornaram-se a pauta do dia, exercidas com maestria pelo povo civil boliviano.
A luta do povo boliviano, defendendo o estado democrático contra as investidas golpistas, nos ensina a importância de estarmos vigilantes e preparados para defender nossa democracia.

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