Por Claudio Sandos
Recentemente, todos nós ficamos assustados com o Projeto de Lei 445/23, aprovado em primeiro turno na Câmara Estadual de São Paulo visando penalizar aquelas pessoas ou entidades que doarem marmitas de comida a moradores de rua.
Após repercussão negativa, o autor, o vereador Rubinho Nunes, do União Brasil, que tem um histórico de perseguição ao Padre Júlio Lancellotti, suspendeu o projeto afirmando que aperfeiçoará o texto.
Em relação a este projeto, o que mais gerou indignação foi o fato de os proponentes do projeto se declararem cristãos, ou seja, dizem seguir as orientações de Jesus, que não apenas alimentou, mas acolheu os pobres e famintos.
Jesus deixou mensagem clara sobre os pobres: “Bem-aventurados os pobres no espírito, pois deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 3); “Bem-aventurados vós, os pobres, pois vosso é o Reino de Deus” (Lc 6,20)”.
Com essas ações da extrema direita no Brasil e no mundo, podemos afirmar que eles buscam eliminar aqueles que estão mais próximos ou já lhes estão reservados o Reino de Deus.
Observa-se que no Brasil, após muitas lutas, chegamos ao texto da Constituição de 1988 que garantiu direitos aos pobres e às minorias, como mulheres, crianças, negros, sem-terra, indígenas e outros tantos pobres que vivem nas periferias urbanas, fruto, sem dúvida, do longo processo de escravidão e ditadura militar que predominou no Brasil por anos.
É sempre importante lembrarmos que a Constituição de 1988 e a Declaração Universal dos Direitos Humanos são unânimes em afirmar que “todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza, com direitos à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança”, entre outros direitos que subentendem o direito “a não passar fome”.
Por que devemos nos posicionar contra projetos de lei ou ideias contra os pobres? Devemos nos posicionar por dois motivos existenciais.
O primeiro motivo é que a maioria do povo brasileiro se reconhece como cristã, e Cristo manda acolher os pobres como se estivesse acolhendo ele próprio.
O segundo motivo é que os que não são cristãos, sejam de outras orientações religiosas, ateus ou agnósticos, têm como baliza a Constituição de 1988.
Atenção: Os projetos maldosos da extrema direita bolsonarista sempre vêm com um discurso fantasioso disfarçado de boas intenções, mas na realidade o objetivo é destruir direitos trabalhistas, direitos à educação, à saúde, ao aborto previsto em lei, chegando ao ponto de tirar dos mais humildes o direito de serem alimentados por pessoas sérias, como o Padre Júlio Lancelotti.
SOBRE CLAUDIO SANDOS – Formado em Pedagogia pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e especializado em Agroecologia e Educação do Campo (UFP), Claudio Sandos é dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e militante da luta camponesa.

Deixe um comentário