Por Claudio Sandos

O Natal, além de um momento de celebração, é também uma oportunidade para reflexão. Em um mundo onde as estruturas do trabalho e da economia permanecem moldadas por um sistema de exploração, é válido perguntar: para onde está indo o suor da classe trabalhadora?

Apesar dos avanços no Brasil durante o terceiro mandato do Governo Lula, que trouxe melhor desempenho econômico, redução da pobreza e aumento da oferta de empregos, os frutos desse progresso ainda parecem distantes dos mais vulneráveis.

Karl Marx, no século XIX, já denunciava a exploração por meio da mais-valia, que permitia aos patrões acumular riquezas às custas dos trabalhadores. Hoje, o mecanismo é mais sofisticado, mas o princípio permanece: as elites financeiras, simbolizadas no Brasil pela Faria Lima, continuam drenando os recursos do setor produtivo para o setor improdutivo.

Essa lógica, descrita de forma contundente pelo economista Eduardo Moreira, transforma bancos e grandes corporações em predadores econômicos que lucram sem produzir riqueza real.

Como apontou Moreira, os bancos, que não plantam alfaces nem produzem computadores, vivem do esforço alheio. Seja por meio de juros abusivos, taxas de serviços ou financiamento da dívida pública, eles extraem o suor da classe trabalhadora e o convertem em lucros exorbitantes.

Enquanto isso, a população, muitas vezes trabalhando em escalas extenuantes de 6×1, vê seu esforço diário financiar as regalias de um sistema que não lhe devolve nada em troca.

Essa realidade não é apenas econômica, mas política. A Faria Lima, maior centro financeiro do Brasil, não apenas define salários e preços; ela também exerce influência direta sobre o rumo político do país. Seu poder foi visível no golpe contra a presidente Dilma Rousseff e nas tentativas de moldar a política nacional em benefício próprio.

O que resta à classe trabalhadora neste cenário? Resistir, organizar-se e lutar por uma sociedade mais justa.

Precisamos resgatar o espírito de coletividade e romper com a narrativa de que tudo que beneficia bancos e grandes empresas é bom para todos. Isso não é verdade, e as taxas de juros mais altas do mundo que pagamos comprovam isso.

Neste Natal, enquanto partimos o pão e celebramos em família, devemos lembrar que o verdadeiro espírito do menino Jesus de Nazaré é aquele que clama por justiça e igualdade.

Que a solidariedade, e não a exploração, seja o presente mais valioso que possamos oferecer uns aos outros. Afinal, a transformação começa com a conscientização.

Feliz Natal com o desejo de que, em 2025, o suor da classe trabalhadora regue campos de dignidade e não cofres de opressores!

Formado em Pedagogia pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e especializado em Agroecologia e Educação do Campo (UFP), Claudio Sandos é dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e militante da luta camponesa.

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