Vivemos em uma era marcada pela hegemonia capitalista, onde cada aspecto da vida parece moldado para atender à lógica da acumulação de riqueza.
Nesse cenário, pensar no socialismo – um sistema que prioriza a coletividade, a solidariedade e o bem-estar comum – soa como um desafio monumental.
No entanto, é exatamente dentro das contradições do capitalismo que surgem as sementes de uma sociedade mais justa e igualitária.
Antes de qualquer reflexão sobre essa questão, é fundamental entender os sistemas em debate. O capitalismo, surgido com a decadência do feudalismo, baseia-se na propriedade privada e na acumulação de capital.
Essa lógica econômica depende de monetização, exploração da força de trabalho e manutenção da propriedade privada por meio do Estado.
Em contrapartida, o socialismo propõe a propriedade social dos meios de produção, buscando a emancipação humana e a harmonia coletiva como princípios fundamentais.
Antes de qualquer afirmação superficial, podemos cravar que “para a burguesia (donas dos meios de produção física e financeira), a melhor opção de sistema é o capitalismo”, sistema este que mantém essa classe sempre no poder.
Natural seria afirmar que “o sistema socialista seria o sistema perfeito para a classe trabalhadora”, que produz a base de toda e qualquer riqueza material e imaterial existente no planeta.
A história nos mostra que o capitalismo sempre resistiu ferozmente a sistemas alternativos, seja por meio de guerras culturais, econômicas ou armadas.
A persistência dos embargos dos Estados Unidos contra Cuba é um exemplo emblemático dessa hostilidade. Ainda assim, mesmo em um mundo dominado pelo capitalismo, iniciativas socialistas continuam a existir, como o SUS (Sistema Único de Saúde) no Brasil, que, apesar de suas limitações, exemplifica uma política pública baseada em princípios de solidariedade e acesso universal.
O ponto central é: é possível viver e praticar valores socialistas no cotidiano, mesmo dentro de um sistema capitalista? A resposta está na ação coletiva.
A construção do socialismo começa nas pequenas práticas diárias – na cooperação, no apoio mútuo, na luta por direitos como moradia, saneamento básico, educação e saúde.
Além disso, resistir à lógica individualista e consumista do capitalismo requer um compromisso consciente com o fortalecimento das redes comunitárias e da organização da classe trabalhadora.
Afinal, como construir um sistema voltado ao bem-estar coletivo em uma sociedade que promove a competitividade como virtude? A resposta passa por fortalecer a consciência de classe e reconhecer que os direitos fundamentais, como saúde, educação e moradia, não podem ser tratados como mercadorias acessíveis apenas a quem pode pagar por elas.
Para 2025, o desafio é resgatar o óbvio: o Brasil, e a América Latina como um todo, possui recursos suficientes para eliminar a pobreza e garantir qualidade de vida para todos.
Não é uma questão de escassez, mas de distribuição. Cultivar valores socialistas no dia a dia é, mais do que possível, necessário.
Trata-se de enxergar o potencial transformador da solidariedade e de construir, tijolo por tijolo, uma sociedade onde o direito à dignidade seja universal.
O socialismo, ao contrário do que muitos imaginam, não é um sonho distante. Ele é a prática cotidiana de quem acredita que um mundo mais justo é possível e necessário.
Assim, a questão não é apenas se podemos viver valores socialistas no capitalismo, mas se estamos dispostos a lutar por um futuro onde esses valores sejam a base de nossa convivência.
Formado em Pedagogia pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e especializado em Agroecologia e Educação do Campo (UFP), Claudio Sandos é dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e militante da luta camponesa.
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