A recente carta divulgada pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago, foi bem recebida por organizações ambientais e lideranças indígenas, mas também gerou cobranças por mais ambição e clareza na execução dos compromissos climáticos.

O documento apresenta uma primeira visão para a conferência, destacando temas como financiamento climático, transição energética e o papel das florestas na mitigação dos impactos das mudanças climáticas.

Entre os pontos abordados, a carta enfatiza a necessidade de alinhar financiamento e transição digital, sem assumir compromissos concretos. Também ressalta a importância das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), mas reconhece as limitações das negociações multilaterais para avançar na ambição climática.

Em relação à transição energética, o documento menciona as metas globais de triplicação das energias renováveis e de eficiência energética, mas não exige diretamente a inclusão desses objetivos nas NDCs, deixando espaço para futuras negociações.

Ilan Zugman, diretor para a América Latina e Caribe da ONG 350.org, elogiou a postura proativa da presidência da COP30, mas alertou para a necessidade de transformação das diretrizes em ações concretas.

“A visão existe – agora precisamos ver os mecanismos que a transformarão em realidade”, afirmou. Ele também criticou a falta de metas concretas para energia renovável e a omissão de um plano claro para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis.

Já Toya Manchineri, coordenador-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), alertou para a necessidade de uma abordagem mais estruturada na proteção das florestas.

“A verdadeira solução para a crise climática está em mudar as causas que a geram”, declarou, reforçando que sem a demarcação de terras indígenas e uma transição rápida para uma economia de baixo carbono, os impactos ambientais serão inevitáveis.

Sinéia do Vale, co-presidente do Fórum Internacional de Povos Indígenas sobre Mudanças do Clima para a América Latina e Caribe (Caucus Indígena), destacou a importância do “Círculo de Liderança Indígena” proposto na carta, mas cobrou uma conexão mais efetiva com as decisões da COP30. “A ênfase nos saberes e conhecimentos das lideranças indígenas precisa ser real e efetiva”, pontuou.

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