Em 2020, durante a pandemia, as redes sociais nos presentearam com a icônica Karen, um “meme” que nasceu nos Estados Unidos para representar mulheres brancas privilegiadas que se sentem superiores as outras pessoas e sempre armam a maior cena para “defender o direito” de serem desrespeitosas.
Cinco anos depois, vemos que o fenômeno Karen começa a ser representado na Câmara Municipal de Porto Velho através da figura da vereadora Sofia Andrade (PL), que conseguiu demonstrar didaticamente que esse meme é mais real do que podemos ousar a imaginar.
A vereadora protagonizou cenas deploráveis, ao utilizar um momento de fala na Câmara, para manifestar todo o desprezo que ela sente por religiões de matriz africana.
O motivo que a incomodou foi o lançamento do livro infantil Meu Terreiro, Meu Axé, que aconteceu em uma escola municipal de Porto Velho, com o objetivo de abordar situações de um terreiro de religiões de matriz africana para ajudar a combater a intolerância religiosa.
A vereadora chegou a levantar de forma bem forçada uma discussão sobre “Estado Laico”, mas logo em seguida reafirmou sua fé cristã, impondo suas crenças com únicas e demonstrando que suas verdadeiras intenções.
Enquanto Sofia Andrade, a Karen de Porto Velho, resolveu transformar o caso em uma oportunidade para se autopromover, existe uma mulher negra sofrendo ataques de cunho racista e de preconceito religioso: Zeneida de Navêzuarina, escritora, produtora cultural e autora do livro “Meu Terreiro, Meu Axé”.
Zeneida usou as redes sociais para denunciar as agressões e solicitar que órgãos competentes, como a Prefeitura de Porto Velho, Ministério Público, Defensoria Pública, Secretaria Municipal de Educação e outras instituições, se manifestem sobre o caso.
A escritora e a produtora do livro dela sofreram uma série de ataques desde o momento em que ela foi exposta pela vereadora nas redes sociais.
Levantar falsos debates, deturpar a realidade, apelar para o pânico moral e gerar um rastro de violência contra minorias fazem parte do quadro de estratégias de políticos medíocres, como a vereadora Sofia Andrade, que não possuem um projeto para a sociedade e estão ali apenas para cumprir esse papel.
Basta observar a atuação da vereadora, que se elegeu explorando a imagem de “cristã armamentista”. Em uma performance para ganhar likes nas redes sociais, ela chegou a engrossar a voz para demonstrar o quanto ficou nervosa com o evento do livro de Zeneida.
Entretanto, a vereadora não demonstra a mesma energia para fazer oposição ao prefeito Léo Moraes, que conseguiu aprovar sem esforço decisões absurdas, como a fusão das secretarias da Agricultura e do Meio Ambiente, muito criticada por especialistas, ou a autorização para um empréstimo de R$ 3 milhões sem avaliar as condições.
Todos os vereadores eleitos, incluindo Sofia Andrade, se curvam para os mandos e desmandos do prefeito, entregando a população à própria sorte. Nesses momentos, a vereadora mostra que é cumplice.
Incapaz de propor soluções para os verdadeiros problemas da cidade, a vereadora precisa inventar falsas polêmicas para demonstrar serviço e tentar se manter relevante no cenário político, mesmo que o preço seja se tornar um meme ambulante na Câmara Municipal de Porto Velho.
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