Depois de registrar a pior seca desde 1967 no ano passado, o Rio Madeira vem subindo de forma significativa em 2025.
Segundo dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB), no dia 4 de abril, o nível do rio atingiu 16 metros e 70 centímetros na estação de medição de Porto Velho, capital de Rondônia, aproximando-se da cota de inundação, fixada em 17 metros.
A elevação do nível é atribuída às intensas chuvas que atingem a região desde janeiro, especialmente às anomalias de precipitação registradas na primeira quinzena de março.
O volume elevado de chuvas fez com que o Rio Madeira ultrapassasse a cota de alerta, que é de 15 metros, colocando em risco dezenas de comunidades ribeirinhas.
Apesar da elevação persistente, a tendência é de estabilização nas próximas semanas, segundo o pesquisador em geologia do SGB, Marcus Suassuna.
“A previsão indica uma redução na intensidade das chuvas, que agora ocorrem de forma mais espaçada e intercalada. A expectativa é de que o rio comece a estabilizar e entre em processo de vazante ao longo das próximas semanas”, explicou.
Diante do cenário, o SGB intensificou o monitoramento hidrológico na bacia do Madeira. Boletins de alerta estão sendo emitidos três vezes por semana — às segundas, quartas e sextas-feiras — enquanto durar o estado de atenção.
A medida visa manter a população e os órgãos públicos informados sobre os riscos e impactos da cheia.
De acordo com a Defesa Civil Municipal de Porto Velho, cerca de 10.785 pessoas foram diretamente atingidas pela cheia em 29 comunidades. Outras 36 comunidades, totalizando aproximadamente 33 mil pessoas, estão em estado de alerta.
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) classifica o risco de catástrofe ambiental como moderado, mas reforça que o monitoramento deve continuar de forma intensiva.
Os efeitos da elevação do Madeira também afetam a infraestrutura rodoviária. A BR-425, uma das principais vias de escoamento da produção regional e acesso ao interior do estado, sofreu interrupções devido à cheia.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) precisou implementar desvios em trechos afetados, utilizando estradas estaduais como alternativas.
O SGB estima que o atual quadro de cheia deve se manter por mais alguns dias, até que o nível do rio comece a recuar de forma consistente.
A emissão de boletins seguirá em ritmo intensificado até que o Madeira retorne a níveis abaixo da cota de alerta.
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Foto: InfoAmazônia
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