Todos os oito deputados federais de Rondônia estão entre os 259 parlamentares que assinaram um requerimento de urgência para acelerar a tramitação do Projeto de Lei da Anistia — proposta que busca perdoar condenações relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

O pedido foi protocolado na última quinta-feira (10) pelo deputado bolsonarista Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e obteve duas assinaturas a mais que o mínimo necessário.

Ao ser aprovado, o regime de urgência permite que o projeto vá diretamente ao plenário da Câmara dos Deputados, sem passar por comissões temáticas, como a de Constituição e Justiça (CCJ).

Contudo, apesar de ter atingido o número de assinaturas, o requerimento ainda precisa ser pautado e aprovado em votação no plenário para que a urgência tenha efeito.

A decisão de colocar o tema em pauta cabe ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que está em viagem ao exterior e deve se pronunciar após a Semana Santa.

Assinaram o requerimento os seguintes deputados de Rondônia:

  • Mauricio Carvalho (União Brasil)
  • Thiago Flores (Republicanos)
  • Cristiane Lopes (União Brasil)
  • Fernando Máximo (União Brasil)
  • Coronel Chrisóstomo (PL)
  • Silvia Cristina (PP)
  • Lucio Mosquini (MDB)
  • Lebrão (União Brasil)

O PL da Anistia está atualmente em uma espécie de “limbo” na Câmara. Em 2024, o texto quase foi votado na CCJ, mas o então presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), decidiu retirar o projeto de tramitação, temendo o desgaste político. A alternativa seria o envio para uma comissão especial, já prevista, mas nunca instalada.

A proposta prevê o perdão a pessoas que participaram, financiaram ou apoiaram atos políticos ou eleitorais em torno do 8 de janeiro. Crimes como depredação de patrimônio público e histórico ficariam de fora da anistia.

Além disso, o texto busca derrubar a tese do crime multitudinário — usada pelo STF para condenar manifestantes por ações em grupo durante a invasão às sedes dos Três Poderes.

A estratégia da oposição bolsonarista, liderada pelo PL, tem sido contornar o rito ordinário da Câmara e forçar uma votação direta, apostando na mobilização individual dos deputados.

A atuação de Sóstenes Cavalcante, que chegou a abordar colegas no Aeroporto de Brasília, foi decisiva para alcançar o número mínimo de assinaturas. Ainda assim, o futuro do projeto depende de articulação política com o presidente da Câmara e da correlação de forças no plenário.

Se aprovada, a proposta representará um revés para o Supremo Tribunal Federal e poderá reacender tensões entre os Três Poderes.

A sinalização de apoio à anistia por parte da bancada rondoniense, em sua totalidade, revela o alinhamento do estado à ala mais conservadora e radical da Câmara dos Deputados.

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Fotos: Câmara dos Deputados

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