Um estudo inédito conduzido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT-ReDem) revelou que o Congresso Nacional teve papel decisivo no agravamento da crise ambiental durante o governo Jair Bolsonaro.
O levantamento analisou o comportamento legislativo de deputados federais da 56ª legislatura (2019-2022) e desenvolveu o CO2-Index, um índice que mensura o quanto cada parlamentar contribuiu para aumentar ou reduzir a emissão de gases de efeito estufa no Brasil.
Com base em 617 votações nominais, 370 proposições legislativas e 2.453 projetos de lei, o estudo avaliou o impacto das ações dos deputados sobre os setores econômicos mais emissores — como agropecuária, energia, mineração e indústria.
O resultado é preocupante: das 165 votações consideradas mais relevantes, 93 favoreceram medidas que ampliam a emissão de gases poluentes. Além disso, mais da metade dos parlamentares analisados tiveram pontuação acima de 0,75 no CO2-Index, indicando comportamento pró-emissões.
A pesquisa identificou forte correlação entre ideologia política e impacto ambiental. Deputados de direita apresentaram, em média, índices de emissão significativamente maiores do que os parlamentares de esquerda.
O ranking individual traz o deputado Paulo Ganime (NOVO-RJ) como o mais emissor, com pontuação de +8,9. Na outra ponta, o deputado Nilto Tatto (PT-SP) lidera entre os mitigadores, com -20,6.
Deputados mais emissores de gases poluentes, segundo o CO2-Index
| Nome | Partido | UF | CO2-Index |
| Paulo Ganime | NOVO | RJ | 8,894519254 |
| Alexis Fonteyne | NOVO | SP | 5,901261918 |
| Kim Kataguiri | DEM | SP | 5,520579136 |
| Vinicius Poit | NOVO | SP | 4,393547066 |
| Bibo Nunes | PSL | RS | 3,625285226 |
| Marcelo Brum | PSL | RS | 3,281615502 |
| José Medeiros | PODE | MT | 3,236564359 |
| Aline Sleutjes | PSL | PR | 3,011714124 |
| Marcel van Hattem | NOVO | RS | 2,996538899 |
| Mara Rocha | PSDB | AC | 2,454740753 |
| Nelson Barbudo | PSL | MT | 2,408195775 |
| Rogério Peninha Mendonça | MDB | SC | 2,370246873 |
| Zé Vitor | PL | MG | 2,17247023 |
| Delegado Éder Mauro | PSB | PA | 2,121131949 |
Deputados mais mitigadores das emissões de gases poluentes, segundo o C02-Index
| Nome | Partido | UF | CO2-Index |
| Nilto Tatto | PT | SP | -20,56401315 |
| Erika Kokay | PT | DF | -15,62361682 |
| Rodrigo Agostinho | PSB | SP | -11,7632713 |
| Joenia Wapichana | REDE | RR | -10,55087644 |
| Alessandro Molon | PSB | RJ | -9,433333475 |
| Célio Studart | PV | CE | -8,390225053 |
| Pedro Uczai | PT | SC | -8,243057288 |
| Bira do Pindaré | PSB | MA | -8,026179078 |
| Camilo Capiberibe | PSB | AP | -6,990936044 |
| Talíria Petrone | PSOL | RJ | -6,820227624 |
| Jandira Feghali | PCdoB | RJ | -6,719786096 |
| Patrus Ananias | PT | MG | -6,212986475 |
| José Guimarães | PT | CE | -5,977760563 |
| Ivan Valente | PSOL | SP | -5,842775256 |
“Esses dados colocam o parlamento como ator central na crise climática brasileira. O legislativo precisa ser responsabilizado por suas decisões, que têm efeitos concretos sobre o meio ambiente e o futuro do planeta”, afirma o pesquisador Mateus de Albuquerque, doutor em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná e coordenador do estudo.
Outro achado importante é o protagonismo das frentes parlamentares do agronegócio e da mineração nas decisões que agravaram a crise climática. Deputados integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) apresentaram, em média, índices altos de emissão.
É o caso de Kim Kataguiri (UNIÃO-SP), com pontuação de +5,5 — o terceiro mais emissor do Congresso segundo o índice. A Frente Parlamentar da Mineração (FPMin) também teve relação estatisticamente significativa com posições antiambientais.
“Isso nos mostra que o extrativismo primário, especialmente o agronegócio e a mineração, é o eixo da disputa ambiental dentro do parlamento”, destaca Albuquerque.
Os dados completos da pesquisa estão disponíveis na plataforma Harvard Dataverse.
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Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
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