Em entrevista ao Giro das Onze, programa do canal Brasil 247 conduzido pelo jornalista Gustavo Conde, o irmão do presidente Lula e referência histórica do sindicalismo brasileiro, Frei Chico, lamentou que os feitos do governo federal não estejam chegando à população e cobrou mudanças urgentes na forma como Lula se comunica com o povo.

O Lula se mata fazendo discurso nas inaugurações, fala bonito, emocionante. Mas quem assiste? Quem transmite isso? Ninguém. A mídia ignora. E o povo acha que ele não está fazendo nada”, afirmou.

Para Frei Chico, a ausência de uma imprensa democrática popular é um dos maiores entraves para o avanço do campo progressista. Ele defendeu que Lula assuma uma postura mais pedagógica e direta com o povo, usando as redes sociais de forma sistemática.

Ele precisa ser mais professor do que orador agora. Falar olho no olho, orientar, ensinar. Mostrar o caminho. Ele não precisa discursar para multidões, mas precisa educar politicamente o povo. Preparar o povo para o que vem depois”, sugeriu.

O sindicalista também não poupou críticas à atuação da grande imprensa, com destaque para a Rede Globo, e lembrou do apoio dado pela emissora ao Golpe Militar de 1964 e ao golpe parlamentar contra a ex-presidenta Dilma Rousseff.

As concessões públicas não informam. O povo não sabe o que está acontecendo. E isso é muito perigoso”, alertou.

Desorganização interna e sucessão política

Frei Chico também demonstrou preocupação com a falta de coesão interna no Partido dos Trabalhadores, que se prepara para novas eleições internas. Ele criticou o que chamou de “democracia desorganizada” dentro da legenda, que, segundo ele, dificulta a construção de consensos e o fortalecimento de lideranças.

Você tem um nome forte, aí aparecem quatro, cinco dentro da mesma direção. Cadê o comando? Cadê a direção política?”, questionou.

Sobre o legado político de Lula, Frei Chico foi enfático: “O herdeiro do Lula é o PT. É o conjunto do partido. Mas o povo precisa entender isso, e para entender, precisa ser informado. O que falta para a esquerda é comunicação. Nós não temos imprensa, não temos concessão, não temos nada”.

Congresso, elites e o Brasil pós-Lula

Durante a entrevista, o sindicalista também falou sobre o papel das elites e do Congresso Nacional na atual conjuntura. Segundo ele, a operação Lava Jato causou “estragos imensos” ao país e seus principais responsáveis — como o ex-juiz Sérgio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol — seguem impunes.

Sobre o Congresso, foi categórico ao afirmar que os escândalos envolvendo o orçamento secreto precisam ser denunciados com mais clareza à população: “Tem jeito? Tem. Mas só se a gente perder tempo explicando para o povo para onde foi o dinheiro. Tem que denunciar. Não é só o Congresso, não. Tem Câmara Municipal, Assembleia Legislativa… é desvio para todo lado”.

Frei Chico encerrou sua fala com um alerta sobre a importância de preparar a sucessão política de Lula e construir um projeto de país que vá além de nomes.

Lula não vai durar para sempre. Já fez muito, e está cansado. O que falta agora é preparar a sucessão, politizar o povo, mostrar que o projeto é maior que o Lula. Ele precisa educar, não só governar”, enfatizou.

E concluiu com um diagnóstico duro sobre o cenário político brasileiro: “O Lula sacrificou a vida dele pela causa do Brasil. Mas a elite brasileira mata a gente de vergonha. Criou monstros. E agora, a qualquer momento, pode eleger outro daquela laia”.

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Foto: Brasil 247

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