Um levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT-ReDem) revelou que, durante o governo Bolsonaro, a maioria dos deputados federais de Rondônia contribuíram para a emissão de gases poluentes.

Utilizando o CO2-Index — um indicador que mensura o impacto ambiental de parlamentares com base em votações, discursos e proposições legislativas — a pesquisa mostra que cinco dos nove deputados rondonienses que cumpriram mandatos entre 2019 e 2022 tiveram pontuação positiva, ou seja, pró-emissões de gases de efeito estufa.

Deputados federais de Rondônia que mais contribuíram para emissão de gases poluentes entre 2019-2022, segundo CO2-Index

NomePartidoCO2-Index
Lucio MosquiniMDB1,82477023255494
Jaqueline CassolPP1,77780642381688
Coronel ChrisóstomoPSL1,30681711503682
Léo MoraesPODE0,390173926568594
Lucas FolladorPSC0,377455661388613
Mariana CarvalhoPSDB0,188401887044063
Expedito NettoPSD-0,0659401050340328
Silvia CristinaPDT-1,36093065020774
Mauro NazifPSB-2,08706013676802

Entre os mais emissores da bancada de Rondônia estão Lucio Mosquini (MDB), com pontuação de +1,82, e Jaqueline Cassol (PP), com +1,77, seguidos por Coronel Chrisóstomo (PSL), com +1,30. Esses parlamentares aparecem entre os que mais apoiaram medidas associadas a setores emissores de gases poluentes, como agropecuária, mineração e energia.

Outros nomes como Lucas Follador (PSC) e Léo Moraes (PODE), atual prefeito de Porto Velho, também apresentaram pontuações positivas, com +0,37 e +0,39, respectivamente, o que indica uma atuação pró-emissão de gases do efeito estufa.

Mariana Carvalho (PSDB) aparece em posição intermediária, com pontuação de +0,18, indicando leve inclinação pró-emissão.

Por outro lado, três deputados rondonienses pontuaram negativamente no índice — o que indica ações mitigadoras de emissões: Mauro Nazif (PSB), com -2,08, Silvia Cristina (PDT), com -1,36, e Expedito Netto (PSD), com -0,06.

O CO2-Index foi construído com base na análise de 617 votações nominais, 370 proposições legislativas e 2.453 projetos de lei.

O estudo identificou que 93 das 165 votações mais relevantes para a questão ambiental foram favoráveis a medidas que aumentam a emissão de gases poluentes.

Além disso, mais da metade dos deputados brasileiros pontuaram acima de 0,75, demonstrando comportamento claramente pró-emissões.

O estudo também destaca a correlação entre ideologia política e impacto ambiental: deputados de direita, como os que integram a bancada ruralista e da mineração, tendem a ser mais emissores.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) foi apontada como uma das maiores influências negativas nas decisões ambientais do Congresso.

“O indicador mostra que o Legislativo tem um papel direto no agravamento ou na mitigação da crise climática. Os parlamentares podem e devem ser responsabilizados pelas consequências ambientais de suas decisões”, afirma Mateus de Albuquerque, coordenador do estudo e doutor em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná.

Os dados completos do CO2-Index estão disponíveis na plataforma Harvard Dataverse.

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Fotos: Câmara dos Deputados

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