A cobertura vegetal da Amazônia em Rondônia sofreu uma queda alarmante em um período de 34 anos. De acordo com um estudo publicado na revista científica Environmental Conservation, a vegetação nativa do estado caiu de 90% em 1986 para apenas 62% em 2020.
A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e de instituições parceiras nacionais e internacionais.
Utilizando imagens de satélite da plataforma MapBiomas em intervalos de cinco anos, os pesquisadores avaliaram a dinâmica da cobertura vegetal e a fragmentação do território entre 1986 e 2020.
O estudo aplicou métricas de ecologia de paisagem para medir o número de fragmentos florestais, seu tamanho médio, grau de isolamento, áreas de borda e conectividade funcional, que, segundo os autores do estudo, são fatores essenciais para entender a degradação ecológica e seus impactos sobre a biodiversidade.
A principal conclusão é que Rondônia tem sofrido um processo intenso de fragmentação florestal, com a vegetação nativa sendo substituída por pastagens, monoculturas e áreas urbanizadas.
A maioria dos fragmentos remanescentes está cada vez mais isolada, o que dificulta o deslocamento de espécies, reduz a diversidade biológica e aumenta a vulnerabilidade dos ecossistemas a incêndios, invasões biológicas e doenças.
O estudo também destaca o papel estratégico das Unidades de Conservação e Terras Indígenas, que conseguiram preservar áreas de vegetação mais extensas e conectadas. No entanto, essas áreas estão cercadas por regiões altamente desmatadas, o que compromete sua efetividade a longo prazo.
“Enquanto em fragmentos desprotegidos a biodiversidade tem sido reduzida, as unidades de conservação e terras indígenas são os principais refúgios”, afirma Luan Goebel, primeiro autor do estudo, doutor pela UNEMAT e atualmente pesquisador de pós-doutorado.
Um dos estados mais impactados pela expansão da fronteira agrícola na Amazônia, Rondônia tem uma história marcada por projetos de colonização, construção de rodovias como a BR-364 e ciclos econômicos extrativistas.
Esses fatores contribuíram para o avanço do chamado “arco do desmatamento” — região ao sul e leste da Amazônia Legal onde o desmatamento avança com maior intensidade.
Os autores defendem que os dados obtidos devem ser usados para embasar políticas públicas mais efetivas de conservação, associadas a medidas de fiscalização e apoio a modos de vida sustentáveis.
“Sem ações concretas e baseadas em ciência, a tendência é de que a perda de cobertura vegetal continue acelerando, comprometendo os serviços ecossistêmicos essenciais para o equilíbrio climático e para a qualidade de vida da população”, alertam os pesquisadores.
O trabalho é parte de um esforço maior para entender os efeitos dessa tendência na fauna local. Um segundo estudo, já concluído, analisou como aves e mamíferos bioindicadores são afetados pela perda de habitat.
Os resultados indicaram que o estado de Rondônia sofre com um rápido declínio de biodiversidade, especialmente de mamíferos de médio e grande porte, como queixadas, veados, onças-pintadas e lontras.
“O próximo passo será integrar dados ecológicos e biológicos para elaborar uma lista de espécies ameaçadas de extinção em Rondônia”, adianta o biólogo Philip M. Fearnside, pesquisador do Inpa e orientador do estudo.
*****
Fonte: Agência Bori
*****
Compartilhe esse conteúdo com seus amigos e familiares e siga os perfis do Rondônia Plural nas redes sociais:

Deixe um comentário