A bancada federal de Rondônia na Câmara dos Deputados votou em peso a favor da suspensão da ação penal contra o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que foi aprovada na última quarta-feira (7) por 315 votos a 143.

O deputado é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na tentativa de golpe de Estado para manter Jair Bolsonaro no poder após as eleições de 2022.

Votaram a favor da medida os deputados:

  • Coronel Chrisóstomo (PL)
  • Cristiane Lopes (União Brasil)
  • Fernando Máximo (União Brasil)
  • Lebrão (União Brasil)
  • Lucio Mosquini (MDB)
  • Mauricio Carvalho (União Brasil)
  • Silvia Cristina (PP)
  • Thiago Flores (Republicanos)

A proposta foi aprovada com celeridade e sem passar pelo Senado. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), promulgou imediatamente o texto após a votação.

A justificativa para a suspensão do processo se baseia em prerrogativas parlamentares previstas na Constituição, que permitem à Câmara sustar processos contra deputados federais por crimes cometidos após a diplomação.

No entanto, juristas alertam que essa suspensão só pode ser aplicada ao parlamentar — neste caso, Ramagem — e não aos demais réus no processo, como o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros ex-integrantes de seu governo.

Apesar disso, o relatório aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e levado diretamente ao plenário é genérico e não delimita os efeitos apenas a Ramagem.

Para especialistas e parlamentares governistas, é justamente essa imprecisão que abre margem para que a suspensão da ação penal de Ramagem seja estendida a outros envolvidos, o que consideram inconstitucional.

“Essa decisão rasga a Constituição do Brasil”, criticou o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP). Já Lindbergh Farias (PT-RJ) questionou: “Trancar uma ação de um julgamento que nem começou, isso é constitucional?”

A condução da votação também foi alvo de críticas. O presidente da Casa impediu a apresentação de emendas, destaques, requerimentos de retirada de pauta e sequer abriu espaço para debate. Para o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), o processo foi um “atropelamento” da democracia.

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