Por Édson Silveira

E não é que a máscara caiu de novo?

A empresa que bancava as despesas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro — aquela mesma que dizia “não ser mulher de bandido” — movimentou R$ 32 milhões em poucos anos, segundo o portal Terra. O valor, diga-se de passagem, daria para construir escolas, hospitais, ou ao menos bancar um bom curso de teatro para quem anda encenando honestidade por aí.

Mas calma: antes que algum bolsonarista venha gritar “narrativa”, vale lembrar que essas movimentações financeiras estão sendo investigadas. Não por comunistas infiltrados, mas por instituições sérias que eles só respeitam quando servem ao seu script. Fora disso, é “perseguição”.

O bolsonarismo nasceu dizendo que ia “acabar com tudo isso que tá aí”. E conseguiu: acabou com o decoro, com o pudor, com o respeito às instituições e quase acabou com a democracia. No lugar, criou uma moral de ocasião, onde corrupção só existe quando o CPF termina com “Lula da Silva”.

Lembram do discurso? “Bandido bom é bandido preso.” Pois é. Só esqueceram de dizer que, se o bandido for aliado, o presídio vira gabinete e a tornozeleira vira pulseira de estimação.

O falso moralismo bolsonarista é mais escorregadio que sabonete em banheiro de quartel. Falam em Deus, mas esquecem do “não roubarás”. Falam em família, mas vivem das rachadinhas da parentada. Falam em pátria, mas entregam joias sauditas escondidas em mochilas e vendidas nos Estados Unidos.

Enquanto isso, a turma segue tentando colar o rótulo de “ladrão” em Lula — o único presidente da história do Brasil que enfrentou um massacre jurídico-midiático, foi preso injustamente, teve seus processos anulados pelo STF e voltou com a cabeça erguida. O que não volta, infelizmente, é a vergonha na cara de quem finge não ver o escândalo que bate à sua porta.

Sim, ladrão tem que estar na cadeia. Mas primeiro a gente precisa reconhecer quem está roubando o quê. E neste caso, estão nos roubando não só o dinheiro público — mas a própria noção do ridículo.

Porque no fim das contas, o bolsonarismo é isso: um moralismo de fachada, com verniz evangélico, recheio miliciano e cobertura de hipocrisia.

Como dizem por aí: o que mais assusta não é o silêncio dos bons, é o grito dos cínicos.

Édson Francisco de Oliveira Silveira é advogado, administrador, professor e vice-presidente estadual do PT/RO

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O conteúdo deste artigo é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Rondônia Plural

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Foto: Issac Fontana/EFE

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