Há momentos na política em que o silêncio conivente é mais danoso do que o erro em si. E há momentos em que a crítica não é uma escolha, mas uma necessidade.
Vivemos um desses tempos — especialmente quando nos deparamos com decisões que ferem frontalmente as causas que um parlamentar diz defender. É o caso da deputada estadual Cláudia de Jesus (PT).
Ligada à agricultura familiar, aos movimentos camponeses e à defesa das comunidades tradicionais, Cláudia construiu sua trajetória sob a promessa de representar os interesses do campo popular.
Mas, ao votar a favor da Lei nº 1.274/25 — que anistia crimes ambientais e invasões ilegais na Reserva Extrativista Jaci-Paraná — a parlamentar contradisse tudo aquilo que simbolicamente a sustenta.
Essa não foi uma votação qualquer. Foi uma escolha consciente que favorece interesses do agronegócio e de grandes frigoríficos acusados de comprar gado criado ilegalmente em áreas protegidas.
Foi um gesto que ignora o grito de socorro das comunidades extrativistas, que veem seu território ser entregue ao desmatamento institucionalizado.
E o mais grave: diante da repercussão nacional e das cobranças públicas, Cláudia optou pelo silêncio. Um silêncio que pesa, pois não é o silêncio da prudência, mas da omissão.
Essa crítica, portanto, não nasce de vaidade nem de oportunismo. Ela nasce da coerência. Da obrigação ética que qualquer veículo de comunicação comprometido em relatar os fatos de forma crítica.
O papel da imprensa livre, especialmente a imprensa popular, é incomodar o poder, ainda que esse poder se vista de vermelho e fale em nome da luta. Afinal, quem trai a floresta, trai também aqueles que resistem por ela.
Cláudia de Jesus ainda pode se explicar. Ainda pode se reposicionar. Mas precisa entender que, em certos casos, uma crítica é mais do que justa: é necessária. Porque quando a incoerência ganha o plenário, o silêncio só serve para legitimá-la.
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