Divulgado em 2024, o relatório O acesso ao verde e a resiliência climática nas escolas brasileiras da Escola + Natureza, iniciativa do Instituto Alana, revelou dados alarmantes sobre o acesso à natureza nas escolas públicas das capitais brasileiras – e Porto Velho está entre os locais com os piores indicadores.

Segundo o levantamento, cerca de 40% das escolas localizadas nas capitais brasileiras não têm qualquer tipo de cobertura vegetal, privando milhões de crianças e adolescentes de contato com áreas verdes – um fator essencial para o bem-estar físico, mental e emocional dos estudantes.

Em Porto Velho, os números impressionam: a proporção de escolas com pouca ou nenhuma vegetação, somada à baixa disponibilidade de praças ou parques num raio de 500 metros, coloca a capital entre as mais vulneráveis do país nesse quesito.

Além disso, muitas das escolas da capital rondoniense estão situadas em áreas com alto risco ambiental, como regiões sujeitas a alagamentos e calor extremo.

Enquanto isso, cidades como Curitiba, Florianópolis e Vitória aparecem em melhor situação, com maior presença de áreas verdes nas escolas e em seus arredores.

Nessas localidades, a infraestrutura urbana favorece o acesso a ambientes naturais, contribuindo para o desenvolvimento integral dos alunos e a redução de desigualdades.

O Impacto da Desigualdade Verde

A ausência de natureza no ambiente escolar não é apenas uma questão estética. Estudos apontam que o contato com a natureza pode melhorar o desempenho escolar, reduzir sintomas de ansiedade, aumentar a concentração e estimular o convívio social. A carência de áreas verdes é, portanto, mais um indicador de desigualdade estrutural no país.

Essa desigualdade tem cor e endereço: o levantamento destaca que as escolas com maior presença de alunos negros e situadas em territórios periféricos são as mais afetadas pela escassez de áreas verdes e pela exposição a riscos ambientais.

Iniciativas Locais

Em resposta aos dados do relatório, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Porto Velho propôs uma ação conjunta com a EMDUR (Empresa de Desenvolvimento Urbano) e a SEMED (Secretaria Municipal de Educação) para transformar esse cenário.

Entre as medidas estão a criação de hortas escolares, implantação de microbosques e integração da educação ambiental ao currículo escolar.

“A desigualdade ambiental também é uma forma de injustiça social. Promover o contato com a natureza nas escolas é garantir o direito ao bem viver”, afirma o secretário municipal de Meio Ambiente Vinicius Miguel, de Porto Velho.

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