O Rondonotícias publicou neste domingo (25) um editorial intitulado “Deputado Glauber Braga visita Porto Velho em busca de apoio, mas volta decepcionado”, recheado de distorções e informações falsas sobre a vinda do deputado federal do PSOL à capital rondoniense.
É lamentável — embora não surpreendente — que um veículo de imprensa atue, de forma tão descarada, chegando ao ponto de inventar que um militante fictício teria dito ao jornal que Glauber Braga afirmou que “jamais colocaria os pés novamente em Porto Velho”.
Nem a data do ato, realizado nas escadarias da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), o Rondonotícias conseguiu acertar. Segundo o veículo de imprensa, aconteceu na “sexta-feira, 24 de maio”, mas segundo qualquer calendário de 2025, o dia 24 de maio caiu em um sábado.
Vamos esclarecer os fatos: desde o momento que desembarcou em Porto Velho, Glauber foi muito bem recebido, cumprimentou a todos, almoçou ao lado de apoiadores, conheceu a cidade e conversou com as pessoas para ouvir a realidade da Amazônia — uma realidade que boa parte da imprensa local insiste em ignorar, atendendo os interesses do agronegócio.
Glauber Braga não veio a Porto Velho “em busca de apoio desesperado”, como sugere Rondonoticias, nem saiu daqui “decepcionado”. Pelo contrário: sua vinda fez parte da Caravana Nacional #GlauberFica, que tem percorrido o país para denunciar a tentativa arbitrária e antidemocrática de cassar um mandato legitimamente eleito.
O deputado do PSOL não só saiu daqui satisfeito com o apoio que recebeu, como contribuiu para que coletivos, sindicatos e partidos políticos de diferentes legendas se unissem em uma só causa – e esse é o motivo do desespero de quem está tentando minimizar o ato.
Se isso não é apoio, o que seria? Talvez o Rondonotícias só reconheça como “mobilização” os motociatas financiadas pelo cartão corporativo.
Foi, sim, um encontro com a militância, com sindicatos, movimentos populares, lideranças indígenas, ambientais e representantes de partidos do campo progressista. Quem esteve presente viu — e registrou — um ambiente de acolhimento, solidariedade e firmeza na defesa da democracia.
O que o Rondonotícias chama de “público reduzido” era composto exatamente por quem sempre segurou este país nas costas: trabalhadores, estudantes, professores, lideranças sindicalistas e representantes do povo.
Desinformação e má-fé
O editorial não para por aí. Repete, sem qualquer compromisso com a verdade, a narrativa distorcida sobre o episódio que originou o pedido de cassação. Glauber não “agrediu um manifestante contrário a sua posição política”. Isso é mentira!
Qualquer um que se dê ao trabalho — jornalístico, diga-se de passagem — de pesquisar sobre o caso sabe que um militante do MBL provocou Glauber, xingou a mãe dele, que estava doente, ultrapassando todos os limites do respeito.
Há um caso de agressão muito pior na história da Câmara dos Deputados: em 2001, o deputado Paulo Magalhães (PSD-BA) agrediu fisicamente um jornalista que publicou um livro sobre seu tio e nunca foi cassado.
Além disso, Glauber foi um dos principais denunciantes do chamado “Orçamento Secreto”, esquema de distribuição de verbas públicas sem transparência, que beneficiou aliados do governo Bolsonaro.
Sobre ignorar fatos históricos
Rondonoticias não contou, mas existe um motivo para a esquerda ser reduzida em Rondônia e a resposta está em nossa História: em 1964, ano do Golpe Civil-Militar que levou o Brasil a uma ditadura que durou 21 anos, a esquerda rondoniense foi duramente castigada e perseguida por lutar contra os interesses da oligarquia que dominava o antigo Território de Rondônia.
Naquele tempo, havia uma Frente Popular mobilizada, que chegou a eleger a maior liderança popular que já existiu na história do nosso estado: o deputado federal Renato Medeiros, que em 1964 foi cassado – assim como estão tentando fazer com Glauber Braga hoje. Todas as pessoas ligadas a ele foram presas, torturadas e silenciadas.
O Palecete do Rio Madeira é o maior símbolo da violência e repressão que as esquerdas, o movimento estudantil e o campo democrático sofreram em Rondônia. O imóvel, que era a sede da URES (União Rondoniense dos Estudantes Secundaristas), foi tomado pelos militares após o Golpe e até hoje nunca foi devolvido a sociedade civil.
Essa violência não foi por acaso. A sede da URES era um polo de mobilização política e se tornou uma ameaça para os interesses da oligarquia local.
Com o campo democrático neutralizado através da repressão político, o integralismo – ideologia criada por Plínio Salgado inspirada no fascismo de Mussolini e trazida para Porto Velho por Joaquim de Lima Araújo – participou da formação de Rondônia, fazendo com que o militarismo, o conservadorismo e o fundamentalismo se tornasse valores muito presentes na cultura local.
Mesmo com tanta repressão, as esquerdas e o campo democrático vem resistindo de forma corajosa tudo que passou – e ainda passa – em Rondônia.
Por que tanto incômodo?
O que realmente incomoda veículos como o Rondonotícias é que a presença de Glauber Braga em Porto Velho mostrou que, mesmo no estado onde a extrema direita se utiliza da violência e de campanhas difamatória para permanecer hegemônica, há resistência. Há vozes dissonantes, há quem lute, há quem não se ajoelhe.
A vinda de Glauber não foi um fracasso. Foi um sopro de esperança. E isso, em um estado tomado por uma elite escravagista e latifundiária, é insuportável.
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Foto: Comunicação PSOL/RO
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