Uma em cada quatro pessoas no Brasil já viveu na pele ou conhece alguém que foi vítima de uma tragédia ambiental, como enchentes, deslizamentos ou queimadas. É o que aponta a pesquisa “Pulso Solidário – os brasileiros e o voluntariado”, realizada pelo Movimento União BR em parceria com a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados.

O dado revela que cerca de 42,2 milhões de brasileiros já foram direta ou indiretamente impactados por algum desastre natural.

Do total, 7% afirmam terem sido diretamente afetados, enquanto 15% conhecem alguém próximo que passou por situação semelhante. Há ainda 3% que viveram na pele e também conhecem outras vítimas, o que corresponde a aproximadamente 16,9 milhões de brasileiros que já enfrentaram um evento climático grave.

Entre os desastres mais citados, enchentes e alagamentos lideram com 68%, seguidos por tempestades ou chuvas fortes (7%), deslizamentos de terra (6%), queimadas ou incêndios (5%), além de quedas de barragens e secas (2% cada).

Solidariedade em alta, preparação em baixa

Apesar da elevada exposição da população a tragédias ambientais, a maioria dos brasileiros não está preparada para enfrentar esses eventos. Segundo o levantamento, 77% dos entrevistados nunca tomaram nenhuma medida de prevenção, como reforçar a estrutura da casa, montar um kit de emergência ou contratar seguro.

Por outro lado, a solidariedade se mostra uma marca registrada do país. Oito em cada dez brasileiros (82%) já ajudaram vítimas de desastres, sendo que 21% atuaram diretamente como voluntários.

As principais formas de contribuição são doação de roupas e sapatos (68%), mantimentos (58%), divulgação de campanhas (49%), doação de dinheiro (37%) e medicamentos (27%).

Além disso, metade (49%) dos brasileiros que ainda não ajudaram manifesta interesse em ser voluntário no futuro, reforçando a disposição coletiva em situações de emergência.

Confiança no impacto local e nas instituições

A pesquisa mostra também que, na hora de doar, 52% dos brasileiros priorizam ações locais, em suas cidades ou regiões. As principais motivações são a gravidade e a urgência da tragédia (43%), seguidas pela confiança na instituição que organiza a campanha (28%) e indicação de amigos ou familiares (27%).

Quando perguntados sobre quais instituições são mais confiáveis para conduzir doações, os brasileiros destacaram as igrejas ou organizações religiosas (46%), seguidas por Corpo de Bombeiros e Defesa Civil (44%) e ONGs (32%).

Percepção crítica sobre governos e empresas

O levantamento revela ainda que 42% dos brasileiros consideram pouco ou nada efetiva a atuação dos governos federal, estadual e municipal na prevenção de tragédias. Apenas 21% avaliam essas ações como efetivas ou muito efetivas, enquanto 33% consideram “mais ou menos”.

Por outro lado, o setor privado ganha pontos: 74% dos brasileiros passam a confiar mais em empresas que se envolvem em respostas a desastres ambientais, especialmente entre os mais jovens, de 25 a 40 anos (77%), e moradores da região Sul (80%).

Despreparo informacional

A pesquisa também revelou um dado preocupante: metade da população (50%) não sabe onde buscar informações de emergência, como serviços de resgate, locais seguros para abrigo ou orientações sobre como agir diante de desastres.

Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, os dados reforçam um alerta: “Os números mostram não só uma parcela muito expressiva da população afetada, como também a falta de preparação para enfrentar desastres, que são cada vez mais frequentes e intensos no Brasil”.

Na avaliação de Tatiana Monteiro, presidente do Movimento União BR, os resultados também ajudam a traçar estratégias de mobilização social. “O brasileiro tem uma disposição natural para ajudar. A pesquisa detalha os fatores que motivam essa ação e oferece insights valiosos para campanhas, empresas e organizações da sociedade civil”, afirma.

Metodologia

O levantamento ouviu 2.013 pessoas com 16 anos ou mais, em entrevistas presenciais nas 27 unidades da Federação, entre os dias 29 de abril e 5 de maio de 2025. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

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Foto: SCCON/PlanetScope

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