Por Edson Silveira

O Brasil assistiu, estarrecido, a mais um capítulo da violência política direcionada à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em plena Comissão de Infraestrutura do Senado, na manhã desta terça-feira, 27 de maio de 2025.

Desta vez, os ataques vieram não apenas do já conhecido senador Plínio Valério (PSDB-AM), reincidente em agressões verbais misóginas, mas também do senador Marcos Rogério (PL-RO), que optou por engrossar o coro do desrespeito e da brutalidade institucional.

Em vez de promover um debate sério sobre os desafios da transição energética e da sustentabilidade, os senadores escolheram o caminho da provocação pessoal, do destempero e da tentativa de humilhação.

Marina Silva, mulher negra, amazônida, com trajetória internacionalmente reconhecida na defesa ambiental, teve que abandonar a sessão após ser interrompida, hostilizada e atacada verbalmente, sem que houvesse qualquer intervenção eficaz da presidência da comissão para garantir-lhe o direito à palavra e à integridade.

Rondônia se envergonha do papel desempenhado por Marcos Rogério, que ao invés de defender os interesses do seu povo — profundamente afetado pelas mudanças climáticas, desmatamento e conflitos agrários — escolhe atacar quem mais tem lutado pela proteção da Amazônia. Seu comportamento, ao lado de Plínio Valério, envergonha não só a bancada de seu Estado, mas o Senado Federal como um todo.

Esses ataques não são isolados. Fazem parte de uma estratégia sistemática de desqualificação da pauta ambiental e de silenciamento de vozes femininas em espaços de poder. Não se trata de divergência política — isso é próprio da democracia —, mas de violência simbólica, institucional e de gênero. Quando uma ministra é interrompida aos gritos, desrespeitada e ridicularizada, não se agride apenas uma pessoa: agride-se a própria institucionalidade da República.

Estamos às vésperas da COP30, que acontecerá em Belém do Pará, momento decisivo para o protagonismo do Brasil na agenda climática global. É Marina Silva quem, com sua autoridade moral e técnica, tem pavimentado esse caminho de reconquista da confiança internacional. É ela quem dialoga com o mundo real, com a ciência, com as populações tradicionais, com os jovens que exigem um futuro viável.

Enquanto isso, seus agressores se aferram ao negacionismo, à truculência e ao oportunismo barato. Fazem da comissão um ringue e da grosseria um projeto político. Mas o Brasil não pode retroceder ao tempo em que a política ambiental era refém dos interesses predatórios.

A história está ao lado de Marina. E a sociedade civil, os movimentos sociais, a juventude e todos os que defendem a democracia, também. Não se pode naturalizar o que é inaceitável. É hora de reação. É hora de solidariedade. É hora de dizer: chega!

Marina Silva não está sozinha. E a causa ambiental não será derrotada pela grosseria de senadores que desprezam a floresta porque nunca a ouviram respirar.

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Édson Silveira é advogado, administrador, professor e vice-presidente estadual do PT/RO

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