Após seis dias de rodadas de negócios, discursos antiambientais e propaganda eleitoral antecipada, a 12ª Rondônia Rural Show Internacional chegou ao fim deixando uma gigantesca decepção para quem ainda acredita na possibilidade de conciliar agronegócio e meio ambiente.

O que se viu no Centro Tecnológico Vandeci Rack, em Ji-Paraná, foi a exaltação ufanista de um modelo econômico que se recusa a dialogar com o século XXI, mas que tenta se vender como tecnológico e moderno.

Enquanto o mundo inteiro debate soluções para frear a emergência climática, Rondônia, mais uma vez, escolhe celebrar o velho discurso de que “o agro não pode parar” — mesmo que isso custe as florestas, os rios, o clima e o futuro.

No que diz a respeito dos discursos políticos apresentados durante o evento, tanto o governador Marcos Rocha (União Brasil) quanto deputados e presidenciável precoce Ronaldo Caido (União Brasil), que são representantes do setor agropecuário, se revezaram para defender abertamente o afrouxamento das leis ambientais.

A mensagem, escancarada e sem disfarces, é que qualquer obstáculo colocado pela legislação em nome da proteção ambiental precisa ser derrubado em nome de um suposto progresso. Um progresso, vale dizer, que já não se sustenta mais no mundo atual.

Esse modelo de economia baseado exclusivamente na exportação de commodities — soja, carne, milho e derivados — é vendido como motor do desenvolvimento.

Mas esse desenvolvimento, na prática, só aprofunda desigualdades, concentra riquezas nas mãos de poucos e impõe ao meio ambiente um preço impagável: desmatamento, perda de biodiversidade, contaminação dos solos e das águas, além de emissões que agravam ainda mais o colapso climático que já sentimos em enchentes, secas extremas e eventos climáticos cada vez mais severos.

É sintomático que um evento que se vende como democrático, que se promove dizendo que acolhe povos indígenas, e que propõe utilizar seu espaço para debater sustentabilidade no agronegócio tenha sido, na verdade, palco de discursos retrógados, eleitoreiros e negacionistas.

A conciliação entre “agro e meio ambiente” falhou, falha e falhará, pois é uma farsa.

A única pauta real do agronegócio que une políticos e empresários é a necessidade de desregulamentar, flexibilizar e permitir mais desmatamento, mais ocupação de áreas protegidas, mais avanço sobre os territórios indígenas, mais destruição ambiental.

Usado como palanque eleitoral para promover discursos absurdos e fora de realidade, a Rondônia Rural Show não trouxe inovação, nem soluções, nem compromissos sérios com a preservação ou com modelos sustentáveis.

O que fica, infelizmente, é a certeza de que parte significativa da classe política e econômica de Rondônia continua presa a um modelo que não cabe mais no presente, quanto mais no futuro.

Enquanto essa lógica predatória for celebrada como sucesso, o que se planta em eventos como esse não é desenvolvimento. É destruição. E quem vai colher as consequências somos todos nós.

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