O filósofo Vladimir Safatle acaba de lançar uma nova versão do livro A esquerda que não teme dizer seu nome, pela Editora Planeta. Publicada originalmente em 2012, a obra foi amplamente reformulada e chega às livrarias com o objetivo de responder aos dilemas que a esquerda brasileira enfrenta diante da ascensão da extrema direita e da crise estrutural que atravessa o país.
Segundo Safatle, o campo progressista vive uma profunda desorientação, que não apenas se manteve, mas se agravou na última década. O autor identifica como um dos principais erros da esquerda a renúncia aos fundamentos históricos de sua atuação política: a defesa intransigente do igualitarismo e da soberania popular. Para ele, ao abrir mão dessas bases, a esquerda “morreu”.
Mais do que uma simples reedição, o livro é quase uma obra inédita. Safatle manteve pouco do texto original, numa escolha que, segundo o próprio autor, foi intencional para causar um “estranhamento necessário”. “Eu quis criar esse estranhamento de um livro reeditado que é, na verdade, outro livro”, afirma.
O filósofo explica que a decisão de reescrever o texto foi motivada pelas transformações políticas e sociais que marcaram o mundo desde a publicação da primeira edição, incluindo as insurreições populares que se espalharam a partir da Primavera Árabe.
Para dar conta dessa nova realidade, Safatle buscou experiências concretas, viajando aos locais onde as revoltas aconteceram para ouvir as pessoas envolvidas e entender de perto os contextos.
“Desloquei-me até seus lugares para entrevistar pessoas, ser afetado, ouvir análises, respeitar a ideia de que um pensamento situado é aquele que procura pensar a partir de certos lugares”, conta.
Na obra, o filósofo propõe que a superação da atual crise da esquerda passa por uma ruptura com o papel de “gestora de crises” e pela adoção de uma postura ofensiva contra o sistema.
Ele destaca que a resposta às múltiplas crises – ecológica, demográfica, social, econômica, política, psíquica e epistêmica – precisa ser estrutural e não apenas paliativa. Safatle convoca a esquerda a unir os oprimidos contra os opressores e a retomar a confiança na capacidade de transformação radical da sociedade.
Em um dos trechos mais contundentes do livro, o autor reforça a importância da luta política como um compromisso geracional: “Mesmo que tais acontecimentos não ocorram enquanto estivermos vivos, lembraria que guardar as armas para a luta das gerações que virão já é uma tarefa gloriosa. Se é essa a tarefa que nos cabe, que a façamos com empenho e rigor.”
Com uma análise crítica e provocativa, A esquerda que não teme dizer seu nome retorna como um chamado à ação, um convite à reflexão e um manifesto por uma esquerda que recupere sua razão de existir.
Ficha Técnica
Título: A esquerda que não teme dizer seu nome
Autor: Vladimir Safatle
ISBN: 978-85-422-3659-0
Páginas: 112 p.
Preço livro físico: R$51,90
Selo Crítica | Editora Planeta
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