Já está disponível no YouTube o documentário “Raízes da Celebração”, um registro audiovisual sensível e potente que mergulha no universo simbólico do povo indígena Mẽbêngôkre Xikrin, retratando uma das celebrações mais importantes de sua tradição: a Festa da Mandioca (Kwyrykangô).

O lançamento aconteceu no último dia 19 de abril, durante evento especial realizado em Altamira (PA) no Dia dos Povos Indígenas, com apresentações culturais, cerimônia indígena e exibição pública da obra.

O documentário, com 30 minutos de duração, é narrado integralmente em língua Xikrin, com legendas em português. A proposta é justamente valorizar o ponto de vista e a cosmovisão indígena: é o próprio povo que se apresenta ao público, sem filtros, sem narradores externos. Um trabalho que reafirma a autonomia e o direito à autodeterminação cultural dos povos originários do Brasil.

Produzido com o apoio do Itaú Cultural e da Equatorial Energia, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), o projeto envolveu diretamente membros das aldeias da Associação Indígena Berê Xikrin da Terra Indígena Trincheira Bacajá, no Pará. Além de ser protagonizado pelos próprios Xikrin, o filme tem em sua equipe criadores indígenas que participaram ativamente da produção e construção da narrativa.

“Queremos que nossos filhos e netos vejam e ouçam nossos saberes. O documentário é uma forma de registrar nossa memória, com nossa voz, na nossa língua, com nosso olhar”, explica Bep Kamati Xikrin, presidente da Associação Indígena Berê Xikrin.

A Festa da Mandioca, também chamada de Kwyrykangô, celebra a fertilidade da terra, a abundância, a colheita, a vida e a ancestralidade. Com cantos, danças e pinturas corporais, homens, mulheres e crianças se reúnem para manter viva uma tradição que fortalece a identidade cultural e espiritual do povo Xikrin — e que agora pode ser compartilhada com toda a sociedade brasileira.

“Acreditamos que valorizar e apoiar as manifestações culturais indígenas é essencial para preservar a rica diversidade do nosso país. Esse patrocínio refletiu nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável e o respeito às comunidades locais”, afirmou Leonardo da Mata, Gerente de Relacionamento com o Cliente da Equatorial Pará, uma das patrocinadoras da obra.

Ao disponibilizar gratuitamente o documentário ao público, a Associação Berê Xikrin convida a sociedade brasileira a conhecer melhor os povos indígenas, suas histórias, suas lutas e suas sabedorias milenares. Em tempos de reconstrução democrática e de debate sobre justiça climática e direitos originários, obras como esta são instrumentos de conscientização, empatia e transformação.

Sobre os Mẽbêngôkre Xikrin

Os Mẽbêngôkre Xikrin são um dos povos indígenas do Brasil que, por gerações, têm preservado sua cultura, seu território e seu modo de vida. Habitantes da Terra Indígena Trincheira Bacajá, no Pará, os Xikrin são conhecidos por sua forte conexão com a natureza, suas tradições e seu espírito coletivo. Mais do que um povo com um passado rico, são protagonistas do presente, reafirmando diariamente sua identidade e enfrentando desafios impostos pelo avanço da sociedade não indígena.

Diferente da sociedade ocidental, os Xikrin não vivem sob a lógica do relógio. Seu tempo é regido pelos ciclos da natureza, pelos rios, pela caça e pela plantação. A vida na aldeia segue um ritmo próprio, no qual o coletivo tem papel essencial. Se um come, todos comem. Os alimentos e bebidas são sempre compartilhados, fortalecendo o espírito comunitário que caracteriza esse povo.

A transmissão do conhecimento se dá pela oralidade e pela prática. As crianças aprendem observando os mais velhos, participando do dia a dia e se envolvendo nos rituais e festividades. A pintura corporal, os adornos e os cantos são expressões culturais carregadas de significados, que reforçam a identidade e a conexão com os ancestrais.

Entre as tradições mais importantes do povo Mẽbêngôkre Xikrin está a Festa da Mandioca (Kwyrykangô), uma celebração de grande significado para a comunidade. Mais do que um evento, a festa simboliza a fertilidade da terra, a valorização das mulheres e a partilha de saberes ancestrais. Durante dias, a aldeia se mobiliza para cantar, dançar, preparar alimentos e reafirmar sua identidade cultural. A mandioca, alimento base da dieta Xikrin, é reverenciada como símbolo de fartura e sobrevivência.

Apesar da riqueza cultural e da força de sua organização social, os Xikrin enfrentam desafios cada vez maiores. A construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte trouxe impactos significativos para seu território, afetando a dinâmica dos rios e da fauna, elementos essenciais para sua sobrevivência. Além disso, o avanço de atividades extrativistas impõe constantes ameaças à preservação da floresta e ao modo de vida tradicional.

Mesmo diante dessas adversidades, os Xikrins seguem resistindo. Buscam, por meio de projetos e parcerias, fortalecer sua autonomia, preservar sua cultura e garantir que as futuras gerações possam viver conforme suas tradições.

SERVIÇO

Documentário Raízes da Celebração
Disponível em: Link
Duração: 30 minutos
Idioma: Xikrin (legendado em português)
Realização: Associação Indígena Berê Xikrin
Patrocínio: Itaú Cultural e Equatorial Energia | Lei Rouanet

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