As recentes mobilizações do Sindicato dos Servidores Públicos e Municipais de Ji-Paraná (SINDSEM) pelo reajuste salarial e melhores condições de trabalho ganharam desdobramentos preocupantes nos últimos dias.

Em entrevista a reportagem de RONDÔNIA PLURAL, o servidor e membro do sindicato Elizeu Paranha, que atua na área da saúde do município, denuncia estar sendo vítima de perseguição política por parte da gestão do prefeito Affonso Cândido (PL).

De acordo com o servidor, os sinais de retaliação começaram a se concretizar no final de junho. No último dia 30, ele foi informado pela diretora da Unidade Básica de Saúde (UBS) onde atua para comparecer ao gabinete do secretário municipal de saúde no dia seguinte.

No encontro, ele esteve com o próprio secretário e a gerente da Atenção Básica, que o comunicaram sobre uma “necessidade de transferência” para uma Unidade de Saúde do Trabalhador, localizada no segundo distrito da cidade.

Ao perguntar se tratava de uma convocação ou um convite, o servidor deixou claro que recusaria a transferência caso fosse opcional, já que não possui meios de transporte para o novo local. No entanto, a transferência foi imposta.

“Na verdade, não fui apenas mudado de unidade. Fui transferido de departamento: da Atenção Básica para o Departamento de Médias e Altas Complexidades (Demac)”, relata.

A mudança veio logo após duas assembleias e dois atos do “Dia D”, nos quais servidores foram às ruas exigir reajuste do piso salarial — atualmente fixado em R$ 1.212, abaixo do salário mínimo —, além da valorização de professores e especialistas educacionais, revisão de benefícios como auxílio-alimentação e plano odontológico, e a implementação do plano de cargos e carreira para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias.

Elizeu foi um dos organizadores do movimento e ajudou a criar camisetas com os dizeres: “Affonso Cândido, R$ 1212 não dá!”

Apesar da ausência de qualquer advertência formal, Elizeu conta que teve falta registrada em folha durante os dias de manifestação, mesmo com a prefeitura ciente dos protestos. Além disso, o servidor relata a presença constante de uma diretora ligada à gestão municipal em sua unidade de trabalho, o que considerou um gesto de intimidação.

“A tentativa de me calar é clara. Mas o apoio dos colegas tem sido fundamental. A maioria reconhece que isso é perseguição. E o respaldo da comunidade tem sido enorme, inclusive nas redes sociais, onde vários pacientes têm manifestado apoio à minha permanência na UBS do Dom Bosco”, afirmou.

Junto com o sindicato, Elizeu entrou com um mandado de segurança contra a transferência e também deve protocolar um manifesto no Ministério Público, denunciando o caráter político da ordem. Segundo ele, não houve qualquer justificativa técnica ou administrativa para a mudança de setor.

Prefeito ausente e diálogo rompido

A denúncia de perseguição acontece em meio a um cenário de crescente tensão entre os servidores municipais e o prefeito Affonso Cândido, que vem desde a 12° Rondônia Rural Show Internacional.

Tudo começou após os servidores anunciarem uma manifestação na feira agropecuária, exigindo o reajuste salarial para um grupo de 803 servidores de diferentes secretarias municipais que recebem R$ 1212,00 – valor menor que o salário mínimo vigente, que é de R$ 1518,00.

Entretanto, o prefeito obteve uma liminar na Justiça que não só barrou o ato durante a Rondônia Rural Show, como também tentou proibir assembleias e manifestações futuras organizadas pelo Sindicato dos Servidores Públicos e Municipais de Ji-Paraná (SINDSEM).

Após uma paralisação realizada em 24 de junho em frente ao Palácio Urupá, sede da prefeitura, os servidores caminharam até a Câmara Municipal, onde foram recebidos pelos vereadores.

Ali, foi formada pelo presidente da Câmara Municipal, o vereador Marcelo Lemos, uma comissão mista com cinco servidores e os vereadores Dra. Rosana Pereira (presidente da comissão), Wanderson O Bença e Anderson de Mattos, além do presidente do sindicato, Valcir Souza.

O grupo conseguiu agendar uma reunião com o prefeito para o dia 27 de junho. No entanto, apesar das alterações de última hora no horário, todos os representantes compareceram — menos o prefeito. Diante da ausência, o presidente do sindicato, Valcir Souza, e o advogado da entidade decidiram suspender a reunião.

“Affonso Cândido deu as costas para a categoria mais uma vez, sem apresentar qualquer justificativa plausível”, disse Elizeu.

O episódio foi considerado um sinal claro de que a gestão municipal não tem interesse em dialogar com os trabalhadores. Com a falta de respostas, cresce entre os servidores a disposição para retomar o indicativo de greve.

“O prefeito não conversa, não negocia e ainda tenta nos intimidar. Mas nós não vamos recuar. Vamos seguir lutando por dignidade e respeito”, conclui Elizeu.

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Fotos: Comunicação SINDSEM

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