A máscara da moralidade caiu: Sofia Andrade, vereadora de Porto Velho pelo PL e autoproclamada cristã, armamentista e implacável no discurso contra a corrupção, é a protagonista do mais recente escândalo do cenário político rondoniense.
O Rondôniagora publicou uma matéria que traz um áudio vazado de uma reunião “secreta” entre vereadores e o secretário-geral da gestão municipal, Sérgio Paraguassu, para negociar o apoio a mais um empréstimo de R$ 180 milhões que a prefeitura de Porto Velho quer fazer.
Nessas circunstâncias, longe dos holofotes, a vereadora não demonstrou preocupação com os impactos de mais um empréstimo, mas sim com o que ela iria ganhar em troca do apoio à proposta. É o que revela o áudio vazado.
A reunião não foi divulgada oficialmente, o que por si só já levanta suspeitas. O conteúdo, no entanto, mostra claramente as consequências da falta de uma oposição na Câmara Municipal de Porto Velho e escancara o que está por trás do voto da maioria dos vereadores.
Sofia que fala ao microfone com tom messiânico, quando está encenando sua personagem, definitivamente não é a mesma que surge nos áudios, com voz mansa, cinismo e frieza.
Em vez de questionar se o dinheiro será bem aplicado, onde serão feitos os investimentos ou como está sendo usado o valor de R$ 300 milhões já autorizados anteriormente, a vereadora escolheu o tomalá-dá-cá que todo político bolsonarista critica.
Ela chega a reclamar que está sendo “menos favorecida” que outros vereadores na divisão das chamadas emendas impositivas — uma espécie de verba que os vereadores podem usar para financiar projetos ou repassar a entidades, muitas vezes sem licitação. Para 2025, essas emendas devem somar R$ 21 milhões.
O que os áudios mostram é que boa parte da Câmara quer que esse valor seja garantido, mesmo que a cidade precise cortar serviços públicos, como a limpeza urbana. Foi exatamente isso que disse o vereador Breno Mendes, conhecido como “Fiscal do Povo”, no áudio vazado: “Nem que deixe de limpar menos a cidade.”
Ou seja: para garantir suas emendas — que também funcionam como moeda política — os vereadores estão dispostos a empurrar Porto Velho para mais uma dívida milionária, mesmo sem planejamento, sem estudo de impacto e sem prestar contas à população.
O comportamento de Sofia Andrade é especialmente grave porque ela tenta passar a imagem de antissistema, que combate privilégios e defende o bem comum. Mas, na prática, age como qualquer político corrupto: usa o cargo para buscar benefícios, protege seus aliados e negocia decisões importantes pensando primeiro em si mesma, não no povo.
O que importa para a vereadora não é a transparência na aplicação dos recursos, tampouco o histórico de endividamento, que já conta com outros R$ 300 milhões autorizados pela Câmara.
O escândalo deveria causar vergonha. Mas o que se viu após o vazamento foi mais uma encenação da vereadora: repúdio à gravação e fuga da responsabilidade. Ninguém pediu – nem vai pedir – desculpas ao povo.
Quem promete defender o cidadão, não pode perguntar “o que nós vamos ganhar com isso?” quando o assunto é dívida pública.
A pergunta que fica não é: até quando os eleitores vão continuar elegendo vereadores que dizem uma coisa em público e fazem o oposto entre quatro paredes?
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