No último final de semana, o prefeito de Ji-Paraná, Affonso Cândido (PL), publicou nas redes sociais um vídeo de “feliz aniversário”, onde servidores aliados lhe tecem elogios e fazem verdadeiras declarações de amor, criando a ilusão de que ele tem uma relação harmoniosa com todos os servidores do município.

O fato de existirem 803 servidores concursados que recebem um salário de R$ 1212 escancara o que a gestão Affonso Cândido realmente pensa da categoria. Este valor, que está abaixo do salário mínimo vigente, mal cobre o custo de vida básico.

Ao invés de resolver esse problema, reajustando o valor e trazendo dignidade para essas famílias, o prefeito tem escolhido ignorar o suplício desses 803 servidores, além de colocar em prática um projeto de terceirização que precariza ainda mais a situação desses trabalhadores e trabalhadoras, muitos com até 20 anos de carreira.

O discurso é sempre o mesmo: substituir servidores públicos por empresas terceirizadas é, segundo a cartilha neoliberal que Affonso Cândido segue, uma forma de cortar custos e trazer mais eficiência para a administração pública.

Parece um bom negócio, mas, enquanto a prefeitura reforça a própria imagem dizendo que não abrirá concursos públicos para cortar custos e a empresa que fornece mão-de-obra terceirizada lucra milhões de reais, a classe trabalhadora é a única que não se beneficia do modelo de terceirização da administração pública.

No Portal da Transparência de Ji-Paraná é possível verificar que, no começo deste ano, a prefeitura fechou dois contratos anuais – um de R$ 18 milhões e outro de R$ 9 milhões, totalizando R$ 27 milhões – com uma empresa de Porto Velho que fornece mão-de-obra terceirizada.

Por sua vez, a empresa paga um mísero salário mínimo e um vale-alimentação de quase R$ 400 para trabalhadores terceirizados, conforme contracheque obtido pela reportagem de Rondônia Plural.

Precarizados e mal treinados, os trabalhadores terceirizados dependem do conhecimento e da experiência dos servidores concursados, para dar conta do serviço.

Perceba que, enquanto está tudo fluindo muito bem para a prefeitura e a empresa, a precarização da vida e das condições de trabalho é a realidade tanto dos servidores concursados quanto dos trabalhadores terceirizados.

Essa escolha – que parece neutra – da gestão Affonso Cândido é considerada um ataque ao funcionalismo público e faz parte de um grande jogo de interesses que envolve a relação entre políticos e empresários com o objetivo de transformar o aparato público em um balcão de negócios.

Por isso, é importante que a população entenda que quando a prefeitura deixa de realizar concursos e opta pela terceirização do serviço público, impede que mais pessoas conquistem a estabilidade que os empregos oferecidos pelo mercado privado são incapazes de proporcionar para maioria da classe trabalhadora.

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