Através de uma plataforma de vagas de emprego, dois anúncios circulam atualmente em Porto Velho oferecendo vagas para atuar como “atirador” ou “oficial de inteligência” nas Forças Armadas da Ucrânia, com salários pagos em dólares.

À primeira vista, o chamado pode parecer uma oportunidade tentadora. Mas por trás dessas promessas, multiplicam-se histórias de arrependimentos, desaparecimentos e mortes.

“Eles estão colocando uma arma na minha mão e me levando para uma zona de guerra sem meu consentimento. Isso nunca foi o combinado. Eu me sinto literalmente enganado”, desabafou o jovem Lucas Felype, de 20 anos, nas redes sociais.

Paranaense, ele viajou à Ucrânia acreditando que atuaria na área de tecnologia militar, especialmente com drones. No entanto, ao chegar no país, a realidade foi outra.

“Desde que cheguei aqui, tudo mudou. Estão me empurrando aos poucos para funções de infantaria e agora me mandaram para Kharkiv, uma região de intenso combate militar. Disseram que é treinamento, mas eu não acredito mais nisso”, relatou em vídeo publicado nas redes sociais.

O desabafo de Lucas repercutiu e fez com que outros brasileiros na mesma situação entrassem em contato com ele. “Estamos trocando informações e tentando entender onde foi que as coisas começaram a sair do caminho certo. Eu já havia tentado sair oficialmente, pedi para romper o contrato, mas até então sem sucesso”, explicou.

Para o jovem, expor o caso publicamente foi a última tentativa de ser ouvido. “Só quero o caminho que vim buscar desde o início, com clareza, respeito e verdade.”

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, já são nove brasileiros mortos e ao menos 17 desaparecidos na guerra entre Rússia e Ucrânia, que se arrasta desde fevereiro de 2022.

O caso mais recente é o do cobrador de ônibus Gabriel Pereira, 21 anos, de Governador Valadares (MG), que foi recrutado por redes sociais e morreu em combate perto da fronteira com a Rússia. A família afirma que ainda não recebeu qualquer informação oficial sobre o corpo e não conta com o apoio do governo ucraniano.

De acordo com os familiares, o jovem fez tudo em segredo, seguindo exigências dos recrutadores, que também o orientaram a mentir sobre o destino da viagem. “Ele só contou quando já estava lá e não dava mais para sustentar a mentira”, contou João Victor Pereira, irmão de Gabriel.

A família afirma que outros brasileiros e latino-americanos estão sendo recrutados de forma semelhante: os jovens são atraídos por promessas que nunca se concretizam e são enviados para o front de batalha sem treinamento.

Os familiares de Gabriel denunciam ainda que muitos desses jovens têm seus passaportes retidos, o que dificulta a identificação no caso de morte e impede a repatriação dos corpos.

Desde o início da guerra, o governo ucraniano vem estimulando a participação de estrangeiros na chamada Legião Internacional de Defesa Territorial, criada pelo presidente Volodymyr Zelensky. A iniciativa aceita até mesmo pessoas sem experiência militar.

*****

Compartilhe esse conteúdo com seus amigos e familiares e siga os perfis do Rondônia Plural nas redes sociais:

Instagram

Facebook

X

Deixe um comentário

PLURALIDADES

Assine a nossa newsletter! Todo sábado você receberá no seu e-mail as principais notícias da semana