Aliados do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) adotaram o discurso que são “vítimas perseguidas por uma ditadura”. Em Rondônia, o deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL) é a maior expressão dessa moda: se diz perseguido e censurado.
É importante aproveitar a ocasião para relembrar de um deputado federal do antigo Território de Rondônia que realmente foi vítima da Ditadura Empresarial Militar (1964 – 1985).
Dr. Renato Medeiros foi eleito deputado federal pelo Partido Social Progressista (PSP) nas eleições de 1962, com ampla vantagem de votos, após seu comício ser alvo da maior violência política que ficou conhecida como Caçambada Cutuba, quando um caminhão-basculante da prefeitura atingiu propositalmente as pessoas que estavam no evento político, deixando dois mortos e dezenas de feridos.
Medeiros se tornou a maior liderança popular da época em um cenário político e eleitoral disputado por duas forças: os “cutubas”, que representava as oligarquias locais e os integralistas, e os “pele curtas”, a Frente Popular, que abrigou comunistas, democratas, socialistas e seringalistas.
Com o Golpe Militar de 1964, ele pagou o preço por desafiar os interesses da elite dominante: perdeu o mandato e os direitos políticos, além de ser obrigado a recomeçar a vida em outro lugar, o que fez com que enfrentasse dificuldades financeiras. Seus aliados foram perseguidos e torturados.
Ele morreu em novembro de 1986 sem saber que seu mandato foi simbolicamente devolvido na Assembleia Constituinte de 1988.
A história de Renato Medeiros está registrada no livro “Uma Frente Popular no Oeste do Brasil – Do Incêndio na Catedral ao Palacete Rio Madeira e outras histórias do Território Federal de Rondônia”, do jornalista e escritor rondoniense radicado em Maricá (RJ), Zola Xavier da Silveira.
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