A Justiça de Rondônia determinou que o site O Joio e o Trigo retirasse do ar uma reportagem que investigava a compra de gado oriundo de áreas desmatadas ilegalmente por uma fazenda do senador Jaime Bagattoli (PL-RO).
A decisão foi assinada no dia 5 de agosto pelo juiz Andresson Cavalcante Fecury, da 1ª Vara Cível de Vilhena, atendendo a pedido de Orlando Bagattoli, irmão e sócio do senador nas empresas do Grupo Bagattoli.
A reportagem, publicada em 30 de janeiro, revelou que a Fazenda Alvorada, do grupo, forneceu animais para a Minerva Foods e para a JBS, gigantes da indústria da carne, a partir de um confinamento em Vilhena que recebia gado de dezenas de propriedades da região — entre elas fazendas com histórico de supressão ilegal de floresta e embargos ambientais.
Segundo levantamento do Centro para Análise de Crimes Climáticos (CCCA), pelo menos quatro dessas propriedades apresentavam registros de desmatamento.
O texto também mostrou que Bagattoli recebeu R$ 25,8 milhões em pagamentos via Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) da Minerva Foods, aparecendo entre os maiores beneficiários de títulos de securitização no setor. Seu irmão Orlando também foi citado como receptor de R$ 4,8 milhões.
Ao ser questionado sobre fornecedores ligados ao desmatamento, o senador afirmou que não exclui produtores por esse motivo e chegou a admitir a prática comum na região de “lavagem de gado”, quando animais de áreas ilegais são revendidos a terceiros antes de chegarem ao frigorífico. “Se você pensar por isso aí, manda fechar os frigoríficos. Cinquenta por cento das terras de Rondônia e Mato Grosso têm algum problema”, declarou.
A reportagem ainda destacou a atuação legislativa de Bagattoli em Brasília, onde apresentou projeto de lei para reduzir de 80% para 50% a exigência de reserva legal em propriedades rurais da Amazônia Legal, medida que, segundo ambientalistas, poderia liberar milhões de hectares de floresta para desmatamento.
Em nota, O Joio e o Trigo afirmou não concordar com a decisão e anunciou que recorrerá. O veículo classificou a ação como um “cerceamento da liberdade de expressão” e ressaltou que sua apuração segue rigorosos processos de checagem. “Vamos interpor recursos para o restabelecimento da ordem jurídica e a preservação do direito de expressão jornalística”, informou a direção.
O processo tramita em segredo de Justiça, também por solicitação de Orlando Bagattoli, que justificou o pedido como forma de “evitar nova repercussão midiática dos fatos”.
Apesar da retirada, a reportagem ainda pode ser acessada em sites que a republicaram, como o Pulitzer Center, entidade internacional que apoia investigações jornalísticas de impacto.
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