Por Edilson Lôbo

Quando morre um homem, morremos todos, pois somos parte da humanidade” – John Donne

Quando escrevi o primeiro texto com esse título, o fiz em alusão à tragédia de Brumadinho, que matou um significativo contingente de pessoas, deixando enlutadas centenas de famílias, fruto da irresponsabilidade política e da ganância econômica. 

O texto que escrevo agora, se insere numa outra dimensão, mas com contornos de pequenas tragédias humanas, consequências da imponderabilidade da vida, ou até mesmo da falta de cuidados do fazer cotidiano das pessoas.

Isso é fruto de reflexões interiores, e do observar atento do momento que estou vivenciando. 

Fui recentemente acometido por um câncer, que me obrigou inexoravelmente, a um tratamento intensivo no Hospital de Amor. Nesse tempo que transcorre o tratamento, em suas diversas etapas, tenho convivido com pessoas de vários lugares do nosso Estado, bem como de outros lugares do país. Paradoxalmente, um convívio rico de vivências, cada um trazendo consigo as angustias e os sentimentos  que a doença lhes proporciona, mas ao mesmo tempo, plenos de esperanças, de que aquela estada, é apenas um lapso de tempo que os levará à cura.

Me incluo nessa leva otimista. Quer pelo contagiante entusiamo dos que trazem em si a certeza da continuidade da vida plena, quer pelas minhas utopias, que fazem descortinar no meu horizonte, um arco íris colorido de esperanças. 

Óbvio que nem tudo flui com a leveza que estamos descrevendo. O tratamento nos cobra uma fatura cara. E todos, invariavelmente, em algum momento, sentem um pouco o vergar nos ombros, desse fardo. Mas o fundamental, é seguir firme, sempre contando com uma rede de suporte que nos dá força e equilíbrio, para suavizar essa caminhada.

Os sinos por quem dobram nesse texto, não se refere `morte de um homem como trata John Donne em sua poesia, mas um badalar que celebra a vida, e faz despertar nos outros, o pulsar necessário, para a continuidade das suas existências.

Há um rito no Hospital de Amor, em que cada um que passa por uma etapa dos dois principais ciclos de tratamento, é convidado a badalar um sino disposto estrategicamente no espaço onde as pessoas estão reunidas, à espera das atividades que deverão cumprir naquele dia. Invariavelmente todos os dias, existe uma ou mais pessoas, sendo enaltecidas por continuarem existindo. 

Os profissionais da saúde que sempre conduzem esse rito,  nos convidam à reflexão de nos sensibilizarmos para o entendimento de que a vida é movida por ciclos, e cada uma dessas etapas vencidas, tem que ser comemorada.

Que as vibrações emitidas pelo badalar do sino, traga ou leve ao coração de cada um, a motivação e a alegria necessárias, de tal sorte a contagiar a todos, que perseveram e nunca desistem de lutar.

São momentos intensos, centrados na busca da superação, que devam ficar marcados para sempre na memória de todos, compartilhados por aqueles e aquelas que ajudaram a vencer as dificuldades, as agruras, e que por isso mesmo, fazem parte dessa história.

Os sinos dobram, para que continuemos vivos!

PODEM BADALAR O SINO!!!

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