No início de agosto, mais de 500 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em Porto Alegre, na obra de uma construtora do Mato Grosso.

Já na região Sul, o mesmo aconteceu com dez trabalhadores de um restaurante argentino, em Porto Alegre.

Casos de trabalho escravo tornam-se cada vez mais recorrentes e não são uma novidade no Brasil, chamando a atenção das autoridades e órgãos públicos.

Levantamento inédito realizado pela Predictus, maior base de dados jurídicos do Brasil, aponta que em 10 anos, foram registrados no país, 20.414 processos relacionados ao trabalho escravo, com uma média de 1.856 novos processos por ano.

Para se ter uma ideia, isso significa mais de 5 casos registrados por dia, diariamente, durante uma década.

Um dado do estudo que chama a atenção é que o trabalho escravo no Brasil não é um problema de pequenos negócios informais, mas abrange grandes corporações e grupos econômicos bilionários.

De acordo com a pesquisa da Predictus, quase metade dos casos (47,92%) envolve grandes empresas, enquanto 19,25% dos processos são contra grupos econômicos bilionários.

Além disso, a escravidão moderna chega a movimentar R$ 7,06 bilhões em processos judiciais e atinge desde pequenos comércios até grupos econômicos que faturam mais de R$ 1 bilhão por ano.

“Os números destroem o mito de que trabalho escravo é problema apenas de pequenos negócios”, analisa o fundador da Predictus, Hendrik Eichler.

Na análise temporal, o ano de 2019 foi considerado como o pico histórico com o registro de 4.827 novos processos, quase 25% de toda a década.

“Coincidência ou não, foi também o último ano antes da pandemia, quando a fiscalização ainda operava em plena capacidade”, explica Eichler.

Os 10 setores com mais casos de trabalho escravo

O trabalho escravo no Brasil não se limita mais às fazendas isoladas. A investigação identificou 880 segmentos diferentes envolvidos em casos, o que revela um cenário bem diversificado.

De todos os setores, quem lidera é a construção civil com 777 casos, seguindo por transporte rodoviário com 601 processos, restaurantes e similares (484), serviços de escritórios (304), vigilância e segurança (282), administração pública (279), lanchonetes e similares (275), bancos múltiplos (222), comércio varejista geral (197) e serviços de engenharia (196).

A presença da construção civil em primeiro lugar reflete que o setor é problemático historicamente.

Porém, o aparecimento de bancos múltiplos com 222 casos e administração pública com 279 casos, revela que a situação transcendeu setores tradicionais.

“O trabalho escravo migrou das fazendas para os centros urbanos, das atividades rurais para serviços sofisticados. Tanto que restaurantes, vigilância, transporte, segmentos que movimentam a economia urbana, estão entre os mais críticos”, conclui Hendrik.

São Paulo como campeão de processos

São Paulo é o estado que concentra o maior número de processos no Brasil, respondendo por mais da metade de todos os casos do país, com 10.387 casos (50,88%).

De acordo com o estudo, “São Paulo não é apenas o maior estado em população e economia. É também onde a fiscalização é mais eficiente e onde as denúncias chegam mais facilmente à Justiça”.

A capital paulista sozinha responde por 6.234 processos (30,53% do total nacional). Para ter dimensão, a cidade de São Paulo tem mais casos de trabalho escravo que 24 estados brasileiros inteiros.

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