Quando o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro vendeu, em 2022, a Refinaria Isaac Sabbá (REMAN), única refinaria de combustíveis da Região Norte, a promessa era de que a privatização atrairia investimentos, modernizaria a operação e traria mais eficiência ao abastecimento de combustíveis.
Entretanto, o cenário atual é o oposto do que foi prometido: a refinaria praticamente deixou de funcionar como refinaria, a gasolina disparou, milhares de empregos foram perdidos e a população da Região Norte tem pagado a conta de um projeto que beneficia empresários milionários e prejudica o povo.
Com a venda, a REMAN, que em 2022 processava mais de 900 mil barris de petróleo por mês, deixou de transformar o petróleo em derivados no Amazonas e passou a operar basicamente como base logística do Grupo Atem, atual controlador.
O petróleo extraído no próprio estado, em Urucu, no município de Coari (AM), agora é enviado para São Paulo, onde passa pelo refino. Essa mudança aumentou os custos logísticos e, consequentemente, o preço final pago pelos consumidores.
Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o litro da gasolina no Amazonas subiu 52,6% desde a privatização. Em dezembro de 2022 custava R$ 4,60; em agosto de 2025 chegou a R$ 7,02.
Um boletim do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo e Gás (Ineep), divulgado neste mês, mostra que a Região Norte lidera o ranking dos preços mais altos do país, com média de R$ 6,19 por litro — acima da média nacional (R$ 6,19) e bem superior ao preço praticado no Sudeste (R$ 6,05).
“Hoje a Ream, controlada pelo grupo Atem, deixou de processar o petróleo extraído em Urucu. Essa mudança limitou sua operação e encareceu ainda mais o preço final para os consumidores amazonenses, que já estão entre os que mais pagam pela gasolina e pelo gás de cozinha no país”, afirma Deyvid Bacelar, coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP).
Impactos sociais e econômicos
Além dos preços abusivos, os efeitos da privatização foram sentidos no mercado de trabalho e na arrecadação pública. Houve demissões em massa, precarização das condições de trabalho e queda salarial para os que permaneceram na refinaria. Municípios que dependiam do ICMS sobre a produção de combustíveis também registraram perdas bilionárias de arrecadação, enfraquecendo a economia local.
“É inaceitável termos uma refinaria que não refina. O petróleo produzido aqui percorre milhares de quilômetros para ser processado em São Paulo, enquanto a população do Amazonas paga os preços mais altos do país”, critica o Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM), em carta enviada ao presidente Lula.
O estudo do Ineep, anexado à carta, alerta ainda para o risco de a REMAN ser reduzida a um simples terminal de armazenamento, sem papel estratégico no abastecimento regional. Para os especialistas, isso significa fragilizar a soberania energética nacional e aprofundar a exclusão econômica do Norte do Brasil.
Alternativas propostas
A FUP e o Sindipetro-AM defendem que o governo federal adote medidas para reverter os danos da privatização. Entre as alternativas estão a reincorporação da refinaria à Petrobrás ou a construção de uma parceria operacional com o grupo Atem para garantir que o petróleo de Urucu volte a ser processado no Amazonas.
Essas medidas, de acordo com as entidades, reduziriam custos logísticos, reativariam empregos qualificados, fortaleceriam a economia regional e permitiriam a oferta de combustíveis a preços mais justos.
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