Por Edilson Lobo
A nossa história se funda num apito, que ecoou de forma tão profunda nas longínquas e desafiadoras matas amazônicas, que se faz ecoar até os nossos dias.
Estamos falando da construção da lendária Estrada de Ferro Madeira Mamoré, que atraiu uma legião de trabalhadores vindos não só de outras regiões do país, mas principalmente de outras nacionalidades.
Essa amálgama dinâmica de gente, animou a vida de um lugar, que aos poucos foi se desenvolvendo, e no tempo histórico, consolidou-se, graças a determinação, o arrojo e o enorme sacrifício de milhares de pessoas, possibilitando a formação do nosso município.
Porto Velho hoje completa 111 anos de existência, com uma série de percalços a serem superados, quer como compromisso de responder ao seu legado histórico, quer como desafios que se colocam no presente e situações futuras, na construção de um espaço que se quer civilizatório.
Essa cidade é a síntese de uma série de acontecimentos cíclicos, condicionados por uma série de fatores, que, aos poucos, foram moldando o seu estilo de vivência, forjando sua cultura, criando o seu padrão de comportamento.
Do ponto de vista estético, temos muito o que caminhar. Estamos longe de nos constituir num município, cuja estrutura exigida, esteja em acordo com as demandas dos seus munícipes.
No que tange ao bem estar econômico e social, somos uma periferia inconclusa, na dependência de uma gama de fatores, que requer um esforço conjunto de políticas públicas, bem como o empenho do setor privado, com a colaboração de todos os cidadãos e cidadãs portovelhenses, que deem conta de transformar essa realidade precária, convertendo-a num projeto de cidade, que valorize as suas múltiplas dimensões de estar e de existir, como espaço habitável.
À par das suas profundas lacunas e fragilidades, Porto Velho tem o seu encantamento, principalmente pela singularidade da sua beleza natural. Some-se a isso, as peculiaridades do seu povo, que prima pela condição de ser hospitaleiro, e a base da sua cultura, multifacetada por um caleidoscópio de manifestações das mais diversas.
Aqui, somamos a sabedoria tradicional dos povos da floresta, o saber ancestral trazido por povos da África, a perseverança do trabalho, encarnado na leva de nordestinos que se deslocaram para essa região em busca de melhores dias e a pluralidade de falas, que faz a síntese da nossa linguagem, enriquecida por sotaques gaúchos, mineiros, paulistas e tantas outras manifestações.
Por tudo isso, celebramos a vibrante saga do nosso povo, que construiu com denodo e muitos esforços, a história recente desse município.
Ainda estamos em busca da consolidação da nossa identidade. Quer como síntese da nossa cultura, como evidência do nosso padrão estético, como força política, face às condicionantes socioeconômicas que nos coloque como potencial efetivo no contexto do desenvolvimento nacional.
Parabéns Porto Velho! Sigamos firme nessa luta, somando esforços, construindo laços, descortinando horizontes, impulsionados pela força motriz do conhecimento, dos saberes apreendidos no transcurso da nossa história, honrando nossas tradições e acreditando no fazer coletivo que assegure as melhores condições de bem estar para todos os nosso munícipes.
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Foto: Leandro Morais
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