Do momento em que abrimos o navegador até a hora de desligar o celular, nossos rastros digitais — cliques, buscas, curtidas, tempo de tela e até o tipo de aparelho usado — são coletados, analisados e vendidos. Essa engrenagem silenciosa movimenta uma economia global bilionária baseada na extração de informações pessoais.

Pesquisadores como Nick Couldry e Ulises A. Mejías chamam esse fenômeno de “colonialismo de dados”, em que grandes corporações tecnológicas extraem e exploram dados pessoais, estabelecendo novas relações de poder e controle. A matéria-prima, agora, é a informação sobre nossas vidas.

Esses dados são utilizados para moldar comportamentos e prever decisões — desde o que compramos até em quem votamos ou com quem nos relacionamos.

Sabe quando você pesquisa sobre um creme de cabelo e, minutos depois, o Instagram passa a exibir anúncios parecidos? Esse é o rastreamento invisível em ação: cookies, pixels de rastreamento (como os do Facebook/Meta) e sistemas de publicidade como o Google Ads capturam seus hábitos e constroem perfis detalhados de consumo.

A partir daí, algoritmos “entendem” seus interesses e passam a direcionar anúncios e conteúdos sob medida — muitas vezes sem que você perceba.

Mas a exploração não para por aí. Dados pessoais também podem ser usados para treinar sistemas de inteligência artificial sem consentimento, incluindo fotos, áudios e textos postados online. Isso aprofunda desigualdades: países e populações com menos regulação e poder tecnológico tornam-se meros fornecedores de “dados brutos” para corporações que concentram o lucro e o controle.

“O colonialismo de dados é a nova fronteira da exploração. Ele transforma nossas experiências cotidianas — o que falamos, sentimos e buscamos — em mercadoria. Precisamos repensar essa lógica e construir tecnologias que sirvam à coletividade, não ao extrativismo digital”, explica Leonardo Foletto, professor e pesquisador da ECA/USP e integrante da Coalizão Direitos na Rede.

Frente a esse cenário, coletivos, universidades e organizações da América Latina vêm se articulando para propor modelos alternativos de tecnologia, com foco em justiça digital, soberania dos dados e autonomia comunitária. Essas discussões ganham espaço no Redes das Redes 2025, que aconteceu em 13 e 14 de outubro no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, no Rio de Janeiro.

*****

Compartilhe esse conteúdo com seus amigos e familiares e siga os perfis do Rondônia Plural nas redes sociais:

Instagram

Facebook

X

Deixe um comentário