O que se viu na operação policial que deixou mais de 100 mortos no Complexo do Alemão e na Penha, no Rio de Janeiro, foi uma chacina promovida pelo Estado. A mobilização de 2.500 policiais — o maior efetivo já empregado em uma única operação — não resultou em segurança, mas sim em um dos episódios mais violentos da nossa história.

A operação, que se pretendia ser “exemplar”, é apenas mais uma demonstração do fracasso da gestão desse modelo de segurança pública vigente que se retroalimenta do crime organizado. Mais do que números, o que se acumulou foram vidas perdidas — de civis e de policiais — sacrificadas em nome da política.

Chamar essa matança de “operação policial bem-sucedida” é um insulto à inteligência e à dignidade pública. Nenhuma cidade pode ser paralisada, nenhum bairro sitiado, nenhum corpo tombado em nome de um projeto de poder.

Ao eliminar suspeitos, o Estado sabota a si mesmo: mata potenciais informantes e destrói o trabalho de inteligência e investigação que poderia desarticular de fato as redes criminosas que “estariam” na mira do governo Cláudio Castro (PL).

O Estado que deveria proteger se transforma em máquina de morte — e o governante, animador de auditório de um reality show sangrento.

A operação não enfraqueceu o Comando Vermelho — apenas eliminou sua base substituível, preservando os chefes e os vínculos políticos que sustentam a economia do crime. Enquanto isso, o crime organizado segue operando com a mesma estrutura de poder e financiamento.

A operação também revela o esgotamento da política de segurança baseada na repressão como marketing. A cada nova chacina, o Estado gasta o pouco que lhe resta de credibilidade e capacidade operacional. Não há estoque de repressão, e o uso abusivo da força esgota as próprias polícias, moral e materialmente.

No dia seguinte, o crime retoma seus espaços, enquanto o governo se apressa em fabricar novos inimigos para encobrir sua própria incompetência.

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