O resultado da pesquisa do Instituto Paraná Pesquisa sobre a chacina dos morros do Alemão e da Penha revela um espelho cruel do Brasil: 69,9% dos entrevistados disseram apoiar a operação, e 67,9% afirmaram ser favoráveis à realização de mais chacinas semelhantes. Não há como amenizar a gravidade desse dado. Ele indica que parte significativa da população não apenas tolera a violência de Estado, como deseja, aplaude e legitima.

60,1% dos entrevistados não enxergam exageros nas ações policiais é sinal de uma sociedade perdeu o senso de limite. Quando o Estado mata mais de 100 pessoas em uma única operação e isso é percebido como “normal”, estamos diante de um colapso moral coletivo.

As imagens da fila de corpos e a dor das mães que viram seus filhos assassinados não provocam indignação, mas satisfação em quem acredita que “bandido bom é bandido morto”. É a cultura do linchamento maquiada de política de segurança pública.

Quando mais da metade dos entrevistados afirma que as operações “ajudam a reduzir a criminalidade”, e apenas 30,1% apontam as ações sociais e preventivas como caminho, percebemos o quanto muitas pessoas ainda acreditam que a violência do Estado é a única solução para combater a criminalidade.

O discurso da guerra às drogas — importado, racista e ineficaz — continua a justificar o massacre sistemático da juventude negra e periférica, com o aplauso dos que se autointitulam “a favor da vida e da família”.

Mais do que uma pesquisa de opinião, esse levantamento é um diagnóstico sobre o Brasil contemporâneo. Um país em que o medo foi transformado em ódio e o ódio em política pública.

A pergunta que resta — e que deveria nos envergonhar — é se ainda há espaço para reconstruir a empatia e o valor da vida em meio a uma sociedade que parece ter sede de sangue.

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Foto: Ricardo Moraes/REUTERS

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