Entre 5 e 7 de novembro, o Instituto Federal de Rondônia (IFRO), em Ji-Paraná, realizou a II Feira da Agricultura familiar e Agroecológica, evento aberto a população que reuniu camponeses, indígenas, pesquisadores, estudantes e movimentos sociais.
Integrante da coordenação da feira, Claudinei Tijolão, articulador da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (RENAP) e dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Rondônia, integrou mesas de debate onde reforçou a importância da agroecologia, segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável.
Na abertura oficial, Tijolão fez uma saudação à instituição e destacou o caráter político e social da iniciativa. “Parabenizamos o IFRO por se posicionar em defesa de um modelo de agricultura baseado na justiça social, na democratização do acesso e uso da terra, na produção de alimentos saudáveis e diversificados, voltados ao abastecimento do mercado interno, garantindo que não falte alimento na mesa do povo”, disse.
A fala reforçou a importância da aproximação do IFRO com os movimentos sociais do campo e a defesa de um projeto de agricultura comprometido com a soberania alimentar da população brasileira.


Agrotóxicos e direitos humanos
Em outra participação no evento, Tijolão representou o Fórum Estadual de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, do qual é coordenador, em mesa que debateu as violações de direitos humanos associadas ao uso de agrotóxicos. Participaram também a procuradora do Trabalho, Dra. Jéssica Alves Resende — vice-coordenadora do Fórum — e o promotor de Justiça Dr. Bruno Almeida, do Ministério Público em Colorado do Oeste, também integrante do Fórum.
“O debate foi no sentido de evidenciar que o problema dos agrotóxicos não é apenas ambiental ou agrícola, mas de direitos humanos, pois afeta a saúde, o território e o modo de vida das populações do campo”, pontuou.

Questão agrária, produção e sementes crioulas
Tijolão fez uma terceira participação no evento: debateu a questão agrária e os arranjos produtivos em Rondônia ao lado dos professores Xênia Barbosa (IFRO Porto Velho), Tiago Santos (IFRO Cacoal) e Márcio Marinho (IFRO Porto Velho), que foi mediador.
Em seu momento de fala, Tijolão fez um panorama da geopolítica internacional e a função da terra na reorganização do capital na agricultura. Depois, apresentou dados que evidenciam a diferença entre a produção da agricultura familiar e camponesa e a das grandes propriedades, destacando formas de organização e a destinação da produção. Além disso, ele mencionou experiências como a Festa Camponesa da Via Campesina, como exemplo concreto de um modelo agrícola viável para o estado e para o país.
Tijolão encerrou o debate enfatizando a importância das sementes crioulas — variedades tradicionais preservadas por gerações no campo.
“As sementes crioulas são patrimônio da humanidade e elemento central para a permanência do campesinato e para a retomada da diversidade na produção de alimentos. A feira apresentou mais de 20 tipos de milho, inúmeras variedades de feijão e arroz. Proteger essas sementes é proteger a vida, a cultura e a soberania alimentar”, afirmou.
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