Uma equipe liderada por pesquisadores da London School of Hygiene &Tropical Medicine, em parceria com o CIDACS-FIOCRUZ-Bahia, apresenta uma pesquisa baseada em um estudo de modelagem que mostra que o aumento das temperaturas contribuirá para um aumento nas mortes relacionadas ao calor entre crianças menores de 5 anos em todo o Brasil, ameaçando anos de progresso na proteção de uma das populações mais vulneráveis do do mundo. A análise faz parte de um relatório mais amplo sobre os efeitos das mudanças climáticas na saúde de mães, bebês e crianças, publicado em julho de 2025.

Utilizando dados históricos do Censo e projeções oficiais de população e mortalidade, os pesquisadores estimaram as mortes por todas as causas relacionadas ao calor entre crianças no Brasil. O objetivo foi compreender de forma mais aprofundada como os riscos associados às mudanças climáticas podem impactar a mortalidade infantil relacionada ao calor no país, considerando dois cenários:

  • Cenário de emissões intermediárias de CO₂, com projeção de emissões estáveis até 2050 e aumento de temperatura entre 2,5 °C e 3 °C;
  • Cenário de emissões elevadas de CO₂, com projeção de aumento de temperatura entre 4 °C e 5 °C até o final do século.

Os dados são alarmantes: com base em informações de mais de 130 municípios brasileiros, entre 2049 e 2059, a mortalidade relacionada ao calor entre crianças menores de cinco anos pode aumentar de forma significativa.

No cenário de altas emissões de carbono, a taxa de óbitos pode passar de 1,07 para 2,00 por 100 mil habitantes, um crescimento de 87% em apenas uma década. Mesmo em cenários moderados, o número de mortes pode subir até 50%, enquanto nas projeções mais críticas, esse total pode praticamente dobrar.

Dra. Enny Cruz, professora associada da LSHTM e pesquisadora do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde (CIDACs/Fiocruz), reforça o alerta: “Esses dados são um chamado urgente para os líderes globais. As mortes de crianças causadas pelo calor extremo podem ser evitadas. Com a implementação rápida de políticas que protejam as populações mais vulneráveis dos impactos crescentes das mudanças climáticas, é possível garantir que as crianças brasileiras não sejam condenadas a um futuro em que o calor ameaça suas vidas, mas sim tenham a chance de crescer com saúde e segurança.”

Dra. Agnes Soares da Silva, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde fala sobre a pertinência dos dados para orientar ações de proteção à infância e aos mais vulneráveis: “Este relatório chega em um momento estratégico e serve como um recurso valioso para discussões baseadas em evidências durante a COP. O Brasil está comprometido em enfrentar os riscos à saúde relacionados às mudanças climáticas, e esta pesquisa reforça a urgência de implementar estratégias de adaptação para proteger nossos jovens cidadãos. Protegendo os mais vulneráveis, toda população é protegida”

Esta pesquisa antecede a COP30, que será sediada pelo Brasil em Belém, e deve orientar debates sobre ações prioritárias no enfrentamento da crise climática. Entre os temas em destaque estão as estratégias para limitar o aumento da temperatura global e fortalecer a resiliência das comunidades mais vulneráveis.

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Foto: High Horizons 2024

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