Uma amizade improvável, mas profundamente transformadora. É este o tema de O que te faz lutar? – Diálogos entre uma trans e um pastor, livro escrito a quatro mãos por Erika Hilton, primeira deputada federal trans e negra da história do Brasil, e Henrique Vieira, pastor, teólogo e deputado federal.
Lançada pelo Selo Planeta, da Editora Planeta, a publicação reúne memórias pessoais, episódios políticos e reflexões que revelam como trajetórias marcadas por preconceito, resistência e fé podem se encontrar em uma luta comum por justiça social, diversidade e amor.
Com humor característico de cada autor e uma escrita afetuosa e certeira, os amigos narram desde o primeiro encontro em um ato político até os bastidores da Câmara dos Deputados, onde atuam lado a lado em pautas como a defesa pelo casamento igualitário e o enfrentamento ao fundamentalismo – segundo eles, uma das grandes ameaças à democracia brasileira.
“Na luta do dia a dia, construímos uma amizade profunda. E a cada dia, sigo aprendendo com essa companheira. Juntos, fazemos política com coragem, brilho, amor nos olhos e cabeça erguida. Abrimos caminhos, rejeitamos destinos, colorimos as ruas, derrubamos opressões, dançamos na avenida da existência. Fé por meio do amor. Amor como revolução” (p. 27), afirma o deputado Pastor Henrique Vieira.

Hilton e Vieira também compartilham momentos íntimos de suas trajetórias. Erika Hilton, nascida em Franco da Rocha e criada em Francisco Morato (SP), viveu uma infância cercada pelo afeto da mãe e de uma família marcada pela força das mulheres.
Aos 14 anos, ao assumir sua identidade de gênero, enfrentou a dureza da transfobia: foi expulsa de casa e conheceu de perto a exclusão e a violência social — experiências que moldaram sua militância e, mais tarde, sua carreira política.
Henrique Vieira, por sua vez, cresceu em Niterói (RJ) e desde cedo se envolveu com a igreja e os movimentos sociais. Fundou a Igreja Batista do Caminho, uma comunidade de fé que acolhe a diversidade e atua na defesa dos direitos humanos.
“Para que nossas diferenças potencializassem nossa atuação conjunta, foi necessário encontrar pontos de contato. E temos vários: somos negros, nascemos na periferia, crescemos em lares envoltos pela religiosidade. Cada um, à sua maneira, ama a vida e gosta de celebrar, de experimentar essa vida, mesmo com as dificuldades do nosso corpo, da nossa história, da nossa trajetória. Temos, ainda, uma visão de mundo similar e escolhemos a política e a esquerda como instrumentos para mudar e revolucionar a sociedade” (p. 14), afirma Erika Hilton.
Os autores se revezam na apresentação dos capítulos, mesclando registros íntimos e análise política, criando, portanto, um mosaico que costura temas como fé, transfobia, racismo e fundamentalismo religioso, ao mesmo tempo que propõe a escuta, o afeto, o amor e a luta por direitos como antídotos à injustiça e à intolerância.
Ao revisitar memórias pessoais e trajetórias de luta, Erika Hilton e Henrique Vieira mostram que a política pode ser feita com afeto, que a fé não precisa ser armadura do ódio e que as alianças improváveis são capazes de abrir caminhos para um Brasil mais justo.
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