O minidocumentário Rimas do Cerrado: Explorando a Cultura Hip Hop em Vilhena chega ao YouTube como um retrato vivo e necessário da juventude que movimenta — e reinventa — a cena cultural do sul de Rondônia. Dirigida pelo comunicador social Pietro Paulo di Amurin, a obra se destaca por construir um mosaico sensível sobre o que o Hip Hop representa para jovens que vivem em um município do interior conservador, onde manifestações culturais periféricas quase sempre enfrentam desconfiança e marginalização.

Com entrevistas profundas e uma estética que valoriza as vozes locais, o documentário mostra que o Hip Hop em Vilhena ainda é “recente”, mas pulsa com um potencial transformador.

Para MC Kadosh, um dos articuladores das batalhas de rima na cidade, o movimento funciona como um espaço plural, capaz de acolher sem julgamentos. “O Hip Hop recebe qualquer um de braços abertos independente da religião, cor ou ideologia… é um abrigo que resgata a gente quando estamos perdidos”, destaca.

Já MC Abidu revela que sua entrada na cultura passou pela necessidade urgente de expressão. Em Rolim de Moura, onde cresceu, não existia movimento estruturado — mas havia inquietação. Foi no rap que ele encontrou uma forma de protesto, mas também uma chave para o autoconhecimento. “Eu nunca soube expressar meus sentimentos… e o Hip Hop abriu essa porta”, ressalta o MC. Para ele, a arte é ferramenta de sonho, autoestima e transformação.

O filme também acompanha a construção coletiva da batalha de rima que hoje se tornou referência no município. Rubão, um dos responsáveis pela organização, relembra o início improvisado, o trabalho voluntário e a insistência para manter o projeto vivo: “Eu não tô ganhando nada com isso… mas estamos lutando”, relata. É a narrativa de quem, mesmo em cenário adverso, aposta na cultura como forma de futuro.

Entre os depoimentos mais marcantes está o de Tábatta Iori, artista circense e MC, que reencontra suas próprias raízes periféricas ao se envolver com o movimento. Para ela, o Hip Hop é um retorno à essência: memória, identidade e cura.

Thaís Santos, também organizadora das batalhas, reforça o poder de conexão do movimento, que une pessoas de “realidades totalmente diferentes” em uma mesma linguagem, enquanto sonha com a profissionalização da cena em Vilhena.

O documentário ainda apresenta reflexões de King, que contextualiza a amplitude cultural do Hip Hop — da moda ao grafite, da música à dança —, evidenciando que, mesmo em cidades pequenas, a cultura urbana floresce, se adapta e cria novas formas de pertencimento.

Financiado pela Lei Paulo Gustavo e distribuído gratuitamente na internet, Rimas do Cerrado se consolida como um registro urgente da vida cultural rondoniense. Mais que apresentar artistas, o filme revela histórias de resistência que encontram no Hip Hop não apenas estilo, mas voz, comunidade e futuro — e que, mesmo em meio ao conservadorismo do interior, insistem em ocupar seu espaço, rimar suas dores e celebrar suas vitórias.

Disponível no YouTube, o documentário é um convite para conhecer essa força que emerge do Cerrado e ecoa muito além de Vilhena. Vale a pena assistir!

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Fotos: Assessoria

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