A escalada de tensões internacionais após as novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendeu debates sobre soberania, defesa nacional e estabilidade política na Venezuela. Para compreender como a população venezuelana tem reagido a esse cenário e como o Estado se prepara para eventuais ofensivas, a reportagem de Rondônia Plural conversou com Fred Santana, integrante da Brigada Internacionalista Apolônio de Carvalho, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que vive no país e acompanha de perto o cotidiano da Revolução Bolivariana.
Rondônia Plural – Como está a percepção do povo em relação às ameaças de Donald Trump?
Fred Santana: Em geral, o povo venezuelano é patriota e defende a soberania nacional. Por isso, repudia de forma veemente as ameaças de Trump, que são ataques diretos à soberania do povo venezuelano. O povo está mobilizado para defender o país; está se organizando na milícia e nos comitês de defesa da Revolução Bolivariana. Existe um grande apoio ao presidente Nicolás Maduro e à Revolução. Há plena consciência de que o que está em disputa são os bens naturais da Venezuela — bens que a Revolução Bolivariana não negocia, porque pertencem ao povo venezuelano.
Rondônia Plural – Como está a segurança bélica por parte do Estado venezuelano? A Venezuela está preparada para uma invasão terrestre como a que Trump diz que fará?
Fred Santana: O povo venezuelano está convicto de sua capacidade de resistência, e isso faz parte de sua história. As Forças Armadas já enfrentaram diversas ofensivas do imperialismo. A Força Armada Nacional Bolivariana vem se estruturando há mais de 20 anos para a defesa nacional. No primeiro governo do comandante Hugo Chávez, houve uma reorganização profunda tanto no plano bélico quanto organizacional, transformando o Exército em uma força verdadeiramente patriótica. Além disso, foi construída a unidade cívico-militar, na qual cada venezuelano e venezuelana é parte da estratégia de defesa da nação. A milícia cumpre um papel fundamental nesse processo. Hoje, a Venezuela conta com 140 mil comitês de defesa da revolução e mais de 1,5 milhão de milicianos alistados, além das forças regulares do Exército.
Rondônia Plural – Como os opositores de Nicolás Maduro acolhem as ameaças de Trump? Existem venezuelanos que defendem o discurso do presidente norte-americano?
Fred Santana: O que vemos internamente é uma defesa da soberania. O povo, mesmo aqueles que já votaram na oposição, não apoia uma intervenção militar dos EUA. Os poucos opositores que defendem a postura imperialista de Trump são supostos líderes que estão fora da Venezuela e que são diretamente subordinados ao imperialismo estadunidense.
Rondônia Plural – Como o povo venezuelano recebeu a entrega do Prêmio Nobel da Paz à María Corina Machado?
Fred Santana: O povo venezuelano reconhece como uma farsa. A soberania nacional não se negocia, e a opositora que supostamente defende a paz, na verdade, é favorável a uma intervenção militar que fere diretamente essa soberania. O povo entende que não existe paz sem soberania. Historicamente, o povo venezuelano lutou — e continua lutando — pela paz e pela defesa de seus direitos. Como expressam as três raízes da Revolução Bolivariana, a liberdade do povo venezuelano é construída por ele próprio.
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