No último domingo (7), em Ji-Paraná, o Café Filosófico, da Nook Café e Livros, trouxe uma reflexão que parece cada vez mais urgente: o que resta dos seres humanos em uma época saturada de discursos vazios, hiperexposição e cansaço permanente? Conduzida pelo psicanalista e escritor Adrian Jhonnson, a discussão girou em torno de como as redes sociais está impactando nossa saúde mental.
“Estamos vivendo um tempo em que é muito fácil falar, postar e opinar — e cada vez mais difícil parar, escutar e pensar. Isso tem impacto direto na nossa saúde mental, nos relacionamentos e até na maneira como nos enxergamos”, ressaltou o psicanalista durante o evento.
Adrian explicou que as redes sociais nos bombardeiam com informações o tempo todo, além de criarem um ambiente onde todos parecem competir por atenção.
“Isso tem um preço: ficamos mais cansados, pois nunca ‘desligamos’; nos comparamos o tempo todo, o que aumenta nossa ansiedade; consumimos conteúdos rápidos, mas entendemos cada vez menos; e começamos a acreditar que precisamos estar sempre performando”, alertou.
“Onde fica o sujeito quando tudo ao nosso redor pede pressa, opinião imediata e exposição constante?”, indagou o psicanalista ao público.

Para aprofundar a discussão, Adrian citou autores que estudam como a sociedade atual produz cansaço e desatenção, como o filósofo Byung-Chul Han e o historiador Peter Burke, mas sempre trazendo o debate para a vida prática: o estresse do trabalho, o ritmo das redes, a falta de tempo para conversar com calma, a dificuldade de se desligar.
Em meio a este cenário caótico, onde a sociedade atual se encontra, Adrian defendeu a importância da escuta. “Não só como um ato de ouvir, mas como um espaço seguro onde podemos refletir sem pressa ou sem qualquer tipo de julgamento”, enfatizou.
Nesse momento, os participantes puderam trazer contribuições à discussão. A conclusão que ficou é que escutar é fazer existir a voz do outro e do mundo ao nosso redor. “É aqui que a psicanálise atua”, destacou Adrian.
“Em um mundo que exige respostas rápidas, a psicanálise devolve ao sujeito um espaço para o não saber de falar sem qualquer tipo de julgamento, ou seja de fala livre”, acrescentou.
*****
Compartilhe esse conteúdo com seus amigos e familiares e siga os perfis do Rondônia Plural nas redes sociais:

Deixe um comentário