A ascensão do comandante-geral da Polícia Militar de Rondônia, Regis Braguin, ao posto de subcelebridade política veio acompanhada da tentativa de vendê-lo como um “herói” que chegaria para salvar o estado. Nos bastidores da corporação, porém, a realidade não acompanhou o marketing: a credibilidade de Braguin estava em ruínas, principalmente entre os praças (militares de baixa patente), que sofrem com condições precárias de trabalho e promessas não cumpridas do governador Marcos Rocha (UNIÃO), que ironicamente é coronel da Polícia Militar.

A audiência pública sobre a Lei de Organização Básica (LOB) e Lei de Promoção dos policiais militares, que aconteceu na última sexta-feira (12) na Assembleia Legislativa de Rondônia, não deixa dúvidas: havia uma revolta silenciosa dentro da Polícia Militar que explodiu em meio a crise gerada após o Partido Novo publicar nas redes sociais uma foto de Braguin usando farda e apresentá-lo como pré-candidato a governador do estado.

A sessão só foi convocada porque os projetos de lei vazaram em grupos de WhatsApp, gerando decepção e revolta entre os militares de baixa patente, que se sentiram ignorados pelo alto comando da corporação.

Durante a audiência, os representantes das associações dos praças criticaram o fato da comissão que elaborou os PLs ser formada apenas por oficiais. “Tentamos diálogo com todos os comandantes da Polícia Militar, tentamos acesso ao coronel Braguin, nunca conseguimos”, relatou Valdinei Teixeira, presidente da União dos Militares de Rondônia (UMIR), sugerindo que o comandante-geral da PM virou as costas para aqueles que atuam na base da corporação arriscando a própria vida em nome da segurança pública.

De acordo com Sargento Ramalho, da Associação dos Praças da Polícia Militar de Rondônia, o modelo sugerido pela Lei de Promoção engessa a tropa e o fluxo de promoção, além de criar defasagem entre praças e oficiais.

Para as associações, o alto-comando da PM errou em não ouvir as demandas dos praças. O resultado foram dois projetos de lei que ficaram favoráveis para os oficiais, mas não para os praças.

As associações pediram ainda “anistia” para os militares que estão sendo punidos por publicarem nas redes sociais a frase “não foi isso que você nos prometeu” em crítica aos projetos de lei. A corporação está tratando o caso como uma transgressão, em uma clara tentativa de calar os insatisfeitos.

Em meio a crise dentro da corporação, Braguin ficou completamente vulnerável a seus oponentes: o vereador de Porto Velho, Fernando Silva, e o deputado estadual Rodrigo Camargo, que abraçaram os praças e compraram briga contra o coronel.

Na audiência, o comandante-geral da PM-RO foi vaiado e atacado de todos os lados, mas nada se compara a denúncia de um suposto caso de violência contra mulher exposto pelo vereador diante de todos. Em resposta, Braguin afirmou que Fernando Silva receberá interpelação judicial sobre a acusação.

Se dizendo defensor das mulheres, Camargo voltou ao assunto e chegou a ler um trecho da ocorrência: “a comunicante se encontra com dois hematomas na perna e um no braço”, até ser interrompido pelo deputado Eyder Brasil de continuar com a leitura.

Ainda assim, a audiência terminou com Braguin sendo acusado de ser traidor da própria corporação e um suposto agressor de mulheres. Um péssimo começo para quem deseja ser pré-candidato a governador do estado.

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