O 1% mais rico já exauriu sua cota anual de carbono – a quantidade de CO₂ que pode ser emitida mantendo-se dentro do limite de 1,5°C de aquecimento – em apenas dez dias do ano. É o que aponta um levantamento da Oxfam Internacional, confederação de Organizações Não-Governamentais (ONGs) focada no combate à pobreza e a desigualdade que atua em cerca de 90 países.

O levantamento foi apresentado no último sábado (10), dia em que a Oxfam denominou o “Dia dos Ricos Poluidores” para destacar como os super-ricos do mundo são desproporcionalmente mais responsáveis pela crise climática. Ainda segundo o estudo, se considerarmos apenas 0,1% dos mais ricos, essa parcela já havia esgotado a cota de carbono em apenas três dias.

De acordo com a organização, as emissões de 1% dos mais ricos geradas em apenas um ano causarão 1,3 milhão de mortes relacionadas ao calor até o final do século. Para permanecer dentro do limite de 1,5°C e evitar esse futuro de catástrofes, o 1% mais rico teria de reduzir suas emissões em 97% até 2030.

Enquanto isso, aqueles que menos contribuíram para causar a crise climática, incluindo comunidades em países mais pobres e vulneráveis ao clima, povos indígenas, mulheres e meninas, serão os mais impactados.

“Repetidamente, a pesquisa mostra que os governos têm um caminho muito claro e simples para reduzir drasticamente as emissões de carbono e combater a desigualdade: mirar nos poluidores mais ricos. Ao reprimir a extrema imprudência com o carbono dos super-ricos, os líderes globais têm a oportunidade de recolocar o mundo no caminho das metas climáticas e desbloquear benefícios líquidos para as pessoas e o planeta”, disse Nafkote Dabi, líder de Política Climática da Oxfam.

Além das emissões associadas a seus estilos de vida, os super-ricos também investem nas indústrias mais poluentes. A pesquisa da Oxfam constata ainda que cada bilionário carrega, em média, uma carteira de investimentos em empresas que produzirão 1,9 milhão de toneladas de CO₂ por ano, aprisionando ainda mais o mundo no colapso climático.

Os indivíduos e corporações mais ricos também detêm poder e influência desproporcionais. O número de lobistas de empresas de combustíveis fósseis presentes na recente cúpula da COP no Brasil, por exemplo, foi maior do que o de qualquer delegação, exceto a do país anfitrião, com 1.600 participantes.

“A imensa riqueza e o poder dos indivíduos e corporações também lhes permitiram exercer uma influência injusta sobre a formulação de políticas e diluir as negociações climáticas”, acrescentou Nafkote Dabi.

A Oxfam aconselha governos agirem para reduzir emissões de carbono pelos super-ricos através do aumento de impostos sobre a renda e a riqueza dos super-ricos e sobre lucros excessivos de corporações de combustíveis fósseis; da proibição ou tributação punitiva de itens de luxo de alta intensidade de carbono, como superiates e jatos particulares; e da construção de um sistema econômico igualitário que coloque as pessoas e o planeta em primeiro lugar, rejeitando a economia neoliberal dominante e avançando para uma economia baseada na sustentabilidade e na igualdade.

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