A Amazônia já ocupa o centro do debate climático do país e sua preservação é prioridade para a população: praticamente metade dos brasileiros discordam totalmente da afirmação de que o desmatamento na Amazônia é necessário para o crescimento da economia (49%), e outros 9% discordam parcialmente. É o que mostra a pesquisa “Mudança do clima na percepção dos brasileiros”, com dados que revelam o pensamento do país sobre desmatamento e queimadas na região amazônica. As proporções de quem discorda totalmente são maiores entre a população de 25 a 34 anos (55%) e com nível de escolaridade superior (58%).

 A pesquisa, realizada pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS Rio), em parceria com a Ipsos-Ipec, está em sua quarta edição. Por meio de um questionário estruturado, as entrevistas foram realizadas por telefone, com 2.600 pessoas com 18 anos ou mais de todas as regiões do país, de diferentes níveis de escolaridade, sexo, faixas etárias, raça/cor, posicionamento político, classe socioeconômica e religião. A coleta de campo foi feita de 10 de outubro a 11 de novembro de 2025, a margem de erro total é de 2 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.

 Além disso, 81% dos entrevistados disseram concordar totalmente que o desmatamento na Amazônia é uma ameaça para o clima e o meio ambiente do planeta – proporção que se manteve estável desde a última edição da pesquisa, em 2022. A porcentagem é maior entre os que se consideram politicamente mais à esquerda (91%), mas também é expressiva nos posicionamentos de centro (84%) e de direita (74%) – indicando uma alta percepção da relação entre desmatamento e clima em todos os espectros políticos.

 A maioria da população também afirma que o desmatamento prejudica a imagem do Brasil no exterior (73%), a qualidade de vida da população local (73%) e as relações comerciais do Brasil com outros países (60%).

 “A pesquisa revela a percepção para a maioria dos brasileiros de que as queimadas e o desmatamento na Amazônia representam uma ameaça ao clima, ao meio ambiente e à imagem do Brasil. Esse entendimento pode criar um ambiente favorável para o avanço de políticas públicas mais efetivas, baseadas na responsabilização dos agentes envolvidos e na adoção de estratégias de prevenção, fiscalização e desenvolvimento sustentável”, destaca Rosi Rosendo, diretora da área de opinião pública da Ipsos-Ipec.

Os responsáveis pelas queimadas

A percepção dos brasileiros sobre a perda de floresta por queimadas também foi abordada na pesquisa. A grande maioria da população com mais de 18 anos afirma que já ouviu falar em queimadas na Amazônia (97%), sendo que, para 75%, o fenômeno é provocado por ação humana.

Entre esse último grupo, 27% considera que os principais responsáveis pelos incêndios florestais são os madeireiros, para 18% são os garimpeiros e para 16% são os grandes produtores rurais.

Além desses três grupos, a população brasileira também elenca pecuaristas e criadores de animais (12%), políticos (9%) e pequenos agricultores (6%) entre os principais causadores de queimadas. Os resultados se mantêm tanto na média nacional quanto nas cinco regiões.

 “Os resultados mostram que o tema das queimadas na Amazônia é amplamente conhecido e compreendido pela população brasileira. Quase a totalidade dos entrevistados já ouviu falar sobre o problema e a maioria atribui sua ocorrência principalmente à ação humana, o que indica um grau elevado de atenção e consciência sobre as causas do fenômeno”, explica Rosendo.

Mudança do clima é preocupante

A pesquisa “Mudança do clima na percepção dos brasileiros”, divulgada em dezembro de 2025, indicou que 93% da população brasileira com 18 anos ou mais percebe que o aquecimento global está acontecendo e, a cada 10 brasileiros, 7 acreditam que a ação humana é a causa principal (74%). Os resultados mostram, ainda, que 79% da população está preocupada ou muito preocupada com o tema.

Dentre os impactos observados no dia a dia da população, cerca de 9 em cada 10 brasileiros com 18 anos ou mais (94%) percebem que houve aumento no preço dos alimentos nos últimos anos, e mais da metade desses (65%) acreditam que isso é consequência do aquecimento global.

Para cerca de um terço dos brasileiros, as empresas e indústrias (35%) e os governos (34%) são os principais responsáveis por resolver o problema da mudança do clima. Considerando a margem de erro, não há diferença significativa entre esses dois grupos. Já os cidadãos também são apontados como responsáveis por 20% da população.

Quando questionados sobre o que fazem para contribuir com o meio ambiente, 76% dos brasileiros dizem que costumam separar lixo para reciclagem, enquanto 63% afirmam que já compartilharam informações ou notícias em defesa do meio ambiente.

Mais da metade dos brasileiros (56%) afirmam que já deixaram de comprar ou usar algum produto que prejudica o meio ambiente e 45% afirmam terem votado em algum político em razão de propostas para defesa do meio ambiente. Essas proporções têm sido estáveis ao longo das quatro edições da pesquisa.

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