O crescimento acelerado da riqueza dos super-ricos em 2025 escancara um cenário global de desigualdade extrema, captura da política e agravamento da crise ambiental. A avaliação é do Instituto Justiça Fiscal (IJF) e da campanha Tributar os Super-Ricos, com base em novos dados da Oxfam e do World Inequality Report (WIR) divulgados durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Segundo a Oxfam, os recursos dos bilionários cresceram mais de 16% em 2025, somando US$ 2,5 trilhões em apenas um ano, alcançando o maior nível da história. No Brasil, 66 pessoas detêm US$ 253 bilhões.

Multimilionários controlam mais da metade das maiores empresas de mídia e todas as principais plataformas de redes sociais, comprometendo a pluralidade democrática. Bilionários têm quatro mil vezes mais chances de ocupar cargos políticos. O 1% mais rico do planeta é responsável por 41% das emissões de gases de efeito estufa.

Nunca o mundo teve tantos bilionários

Hoje, apenas 12 pessoas concentram mais riqueza do que metade da população mundial, cerca de quatro bilhões de pessoas. Pela primeira vez na história, o planeta ultrapassou a marca de três mil bilionários, que juntos concentram US$ 18,3 trilhões. Suas fortunas cresceram 81% desde 2020, enquanto uma em cada quatro pessoas no mundo não tem comida suficiente e quase metade da humanidade vive na pobreza. A riqueza acumulada em 2025 erradicaria a pobreza extrema 26 vezes.

Dados do WIR mostram que a concentração de renda global é a maior em 30 anos: os 10% mais ricos detêm 75% da riqueza mundial, enquanto a metade mais pobre fica com apenas 2%.

A fortuna do grupo mais rico do mundo cresceu 16,2% desde a eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em novembro de 2024, até o fim de 2025. O ritmo é três vezes maior do que a média anual dos últimos cinco anos.

Desigualdade é decisão política

O volume de riqueza acumulado em um único ano permitiria distribuir US$ 250 para cada habitante do planeta e, ainda assim, os super-ricos terminariam o período centenas de bilhões de dólares mais ricos, segundo relatório da Oxfam.

No topo do ranking está Elon Musk, primeiro a ultrapassar US$ 500 bilhões em patrimônio, impulsionado, principalmente pela valorização de empresas de tecnologia e inteligência artificial.

Para o IJF, o dado evidencia uma distorção estrutural. “A desigualdade não é fruto do acaso, mas de decisões políticas que blindam fortunas, fragilizam a democracia e aprofundam injustiças sociais e ambientais”, afirma a presidenta do Instituto Justiça Fiscal, Clair Hickmann. “Tributar os super-ricos é uma medida urgente de justiça fiscal, social e climática.

Crise climática de ricos afeta todos

A concentração de riqueza se traduz diretamente em maior responsabilidade pela crise climática. Dados do World Inequality Report mostram que o 1% mais rico do planeta é responsável por 41% das emissões de gases de efeito estufa associadas à propriedade de capital privado, quase o dobro das emissões geradas pelos 90% mais pobres.

Estudos adicionais indicam que, apenas por seus padrões de consumo, esse 1% emite tanto carbono quanto os dois terços mais pobres da população mundial.

Poder econômico manda na política

O relatório da Oxfam aponta ainda a conversão da riqueza extrema em poder político e controle da informação. Bilionários têm quatro mil vezes mais chances de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns, enquanto quase metade da população mundial acredita que os ricos compram eleições.

Multimilionários controlam mais da metade das maiores empresas de mídia e todas as principais plataformas de redes sociais, comprometendo a pluralidade democrática.

Tributação progressiva reduz desproporção

Na América Latina, o Brasil lidera a concentração, com 66 bilionários que somam cerca de US$ 253 bilhões. Para o IJF e a campanha Tributar os Super-Ricos, o quadro reflete um sistema tributário regressivo, que tributa mais o trabalho e o consumo do que grandes fortunas, heranças, dividendos e lucros extraordinários, além de não responsabilizar adequadamente os grandes poluidores.

“O combate à desigualdade, à crise climática e ao enfraquecimento da democracia passa necessariamente pela tributação efetiva dos super-ricos e pela redução de seu poder desproporcional em todos os países”, reforça Clair Hickmann.

O Instituto Justiça Fiscal e a campanha Tributar os Super-Ricos, realizada há cinco anos no Brasil por 70 entidades, defendem uma reforma tributária progressiva, com taxação de grandes fortunas, heranças e dividendos, combate a monopólios, regulação do lobby e mecanismos fiscais que façam quem mais lucra e mais polui contribuir para financiar serviços públicos, proteção ambiental e a redução das desigualdades.

O IJF e a campanha Tributar os Super-Ricos defendem:

·Tributação efetiva e progressiva sobre grandes fortunas, heranças e dividendos;

·Taxação de lucros extraordinários e ganhos excessivos em setores altamente concentrados;

· Integração entre política tributária e política ambiental, com mecanismos que façam quem mais polui contribuir mais;

· Combate a monopólios e fortalecimento da regulação econômica;

· Regras mais rígidas para lobby e financiamento político por grandes fortunas;

· Fortalecimento dos serviços públicos e das políticas de proteção social;

· Controle, redução e transparência das renúncias fiscais;

· Redução dos tributos sobre o consumo.

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Foto: Shawn Thew/Pool via Reuters

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