Por Carlos Pedro Macena
Inexiste viabilidade para um projeto de semi-anel viário que desvie o fluxo cada vez mais maior de caminhões extrapesados que congestionacada vez mais o trecho urbano da BR-364, uma via alternativa, inicialmente apenas no sentido Cuiabá-Porto Velho, a partir de um ponto depois do Posto Fiscal, à altura da Cargill, Rical ou Haus Bier, descrevendo um arco no sentido Leste-Norte, cruzando as últimas quadras da saída para Juína (MT), as avenidas Paraná, Marques Henrique, Melvin Jones, religando-se à BR-364 antes do frigorífico na saída para Pimenta Bueno? Isso iria desapropriar grandes áreas lindeiras a ele, topograficamente muito instáveis e acidentadas, evitando a construção de uma ponte por trás do frigorífico e a extensão por mais 2 ou 3 km do acesso, até a rotatória de junção de volta à rodovia, já na plana reta de saída rumo a Pimenta Bueno.
Lá vão os pitacos:
(I) Os acordos transnacionais celebrados desde 2024 pelo Governo Federal com potências econômicas do Extremo Oriente (China, Japão, Coréia do Sul, Taiwan, Hong-Kong, Singapura, Indonésia), isoladamente ou via NAFTA (North-American Free-Taxes Agreement, iniciativa ainda do ex-presidente Barack Obama), vão aumentar exponencialmente o volume dos fluxos de caminhões extrapesados que sempre usaram o perímetro urbano de Vilhena apenas para seguir rumo a outras paragens nos períodos de safra de soja, milho e algodão, vindos de Juína, Juruena, Sapezal, Colíder, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Comodoro, Pontes e Lacerda e Cáceres, com destino à exportação via Porto de Porto Velho;
(II) Vindo do Sul e Sudeste, também vai igualmente se multiplicar o tráfego de cargas “de passagem” para os outros municípios de Rondônia e também do Acre, fretes rodoviários indispensáveis para abastecer de móveis, eletrodomésticos, combustíveis, fertilizantes, máquinas e implementos agrícolas, autopeças, pneus, torres, materiais elétricos, escolares, de construção, vestuário, medicamentos e gêneros alimentícios dezenas de grandes redes de farmácias, spas.hotéis, restaurantes, churrascarias, escolas, faculdades hipermercados e shopping centers – não carece detalhar à minúcia.
(III) O “pega-pra-capar” por espaço e mobilidade nas faixas expressas e em ambas as marginais já terrifica e só tende a aterrorizar o fluxo local de veículos de carga comercial (água & gás & pet & Sedex), ônibus escolares, aplicativos de transporte de passageiros, caminhonetes despencadas do Setor Chacareiro, vindas para pequenas entregas urbanas, e tornar mais grave a “disputa” com motociclistas, ciclistas – sem esquecer, lateralmente, a travessia de pedestres e cadeirantes, com os mesmos riscos aumentados para ciclistas, motociclistas, picolezeiros e até para as “Rondocap girls”, todos às voltas com calçadas atulhadas ou obstruídas e sempre desniveladas, nas duas avenidas paralelas, linhas auxiliares das marginais – Major Amarante e Capitão Castro.
(IV) Existe óbice legal para a desapropriação das áreas essenciais para as obras de terraplanagem, compactação, drenagem, asfaltamento, sinalização e iluminação desse que poderia vir a ser um belo cartão-postal de chegada a Rondônia, por meio de uma abertura de concorrência pública internacional para aquisição de lotes de 20.000 a 200.000m2 por empresas interessadas em manter e aumentar faturamento (postos de gasolina locais que ali abririam filiais e não perderiam galonagem), novos hotéis e pousadas de lazer, restaurantes do tipo”country”, áreas de lazer com paisagismo e assim por diante? Existe? Qual?
(V) (Des)vontade política ou inapetência para a trabalheira imensa que isso dá – acho que isso se afasta, se nos lembrarmos da palavra mágica: “PEDÁGIO”.
Sobre o autor
Carlos Pedro Macena da Assunção nasceu em Brasília (DF), quatro dias após o golpe militar de 1964. Viveu em Santa Rita do Araguaia (GO), Aquiraz (CE), Porto Alegre (RS) e Verona (IT). Graduou-se em Jornalismo pela USP em 1989, trabalhou na Editora Abril, Grupo Folhas, Rede Amazônica (Administrador da TV Vilhena 1999-2001), Folha de Rondônia, Diário da Amazônia, professor de Português e Inglês na Seduc-RO em Pimenta Bueno e Ji-Paraná, foi chefe de comunicação de Leonel Bertolin, Luizão do Trento e Ivo Cassol, em 2006. Por 11 anos, até 12/2023, foi escriturário do Banco do Brasil S.A. em Limeira (SP) e Porto Velho (RO).
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